Donald Trump: governo do republicano anunciou nova taxa de 10% a 12,5% para 60 parceiros comerciais (Saul Loeb/AFP)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 23 de julho de 2026 às 18h22.
Última atualização em 23 de julho de 2026 às 19h13.
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira, 23, uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil, sob a alegação de que o país não adota nem aplica de forma eficaz uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida, determinada pelo governo de Donald Trump, faz parte de uma ação comercial que atinge 60 parceiros comerciais dos EUA e entra em vigor nesta sexta-feira, 24.
A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e faz parte de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelo governo americano para responder a práticas estrangeiras consideradas prejudiciais ao comércio dos Estados Unidos.
Segundo o órgão, as tarifas foram aplicadas de maneira a combater o trabalho forçado em economias parceiras comerciais dos EUA. A investigação envolveu duas audiências públicas, mais de 2.100 comentários enviados pela sociedade e consultas com mais de 45 governos.
O comunicado do USTR informa que a medida afetará economias responsáveis por aproximadamente 99,4% das importações dos EUA.
O embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, afirmou que a medida busca combater o uso de trabalho forçado nas cadeias globais de produção.
"O presidente Trump reconhece que décadas de pressão diplomática não eliminaram o trabalho forçado das cadeias de suprimentos globais. Os Estados Unidos têm uma proibição de importação de produtos feitos com trabalho forçado há quase um século e a aplicam rigorosamente; já passou da hora de nossos parceiros comerciais fazerem o mesmo", declarou.
De acordo com o USTR, as tarifas foram definidas conforme o grau de compromisso de cada país em adotar restrições contra produtos feitos com trabalho forçado.
Segundo o USTR, as novas tarifas atingem os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos e cobrem aproximadamente 99,4% das importações americanas.
O governo americano informou que alguns produtos poderão ser excluídos das tarifas adicionais. Entre eles estão matérias-primas cuja taxação poderia causar falta de oferta interna nos EUA, produtos capazes de provocar impactos econômicos amplos e itens que não podem ser produzidos em quantidade suficiente ou a preços razoáveis no mercado americano ou em outros fornecedores.
Também poderão ser isentos determinados produtos de países que adotem medidas para cumprir compromissos relacionados à proibição de importações com trabalho forçado.
Segundo o USTR, as tarifas não serão aplicadas a materiais informativos, doações, bagagens acompanhadas e produtos já sujeitos às tarifas da Seção 232, relacionadas a questões de segurança nacional.
A decisão ocorre no momento em que o governo de Donald Trump amplia o uso de tarifas como instrumento de política comercial. Segundo a CNBC, as novas alíquotas de 10% a 12,5% substituirão tarifas globais temporárias de 10% que estavam próximas do vencimento.
As novas medidas entram em vigor às 0h01 desta sexta-feira, 24, e atingem 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos.
A Casa Branca já havia anunciado anteriormente outras medidas tarifárias contra parceiros comerciais, incluindo uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, que entrou em vigor nesta semana, e novas tarifas sobre produtos do Canadá.
O governo americano afirma que o objetivo da política é reduzir práticas comerciais consideradas injustas, proteger trabalhadores dos Estados Unidos e incentivar outros países a adotar padrões semelhantes de combate ao trabalho forçado.