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'Dark Horse', tarifaço e ajuste fiscal: veja o que Flávio Bolsonaro disse em entrevista à TV Globo

Candidato defendeu o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, responsabilizou Lula pelo tarifaço dos EUA e prometeu ajuste nas contas públicas

Flávio Bolsonaro: senador e candidato do PL à Presidência durante entrevista à TV Globo (Crédito: Globo/ Manoella Mello)

Flávio Bolsonaro: senador e candidato do PL à Presidência durante entrevista à TV Globo (Crédito: Globo/ Manoella Mello)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 23h06.

Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 23h23.

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Candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro participou nesta sexta-feira, 28, da sabatina na TV Globo, como parte do ciclo de entrevistas com candidatos ao Palácio do Planalto.

Entre os principais temas abordados estiveram o respeito ao resultado das eleições, o financiamento do filme Dark Horse, o tarifaço dos Estados Unidos, a agenda fiscal de sua campanha e seu apoio ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar, que está preso.

“Jamais questionei o processo eleitoral”, diz Flávio

Flávio afirmou que pretende respeitar as regras do processo eleitoral e o resultado das urnas em 2026. A declaração veio após ser questionado sobre os ataques feitos por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao sistema eletrônico de votação.

“Jamais questionei o processo eleitoral. Vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições. Eu estou concorrendo com essas regras, eu vou ser presidente da República com essas regras”, afirmou.

O senador também reconheceu ter cometido um erro ao dizer que uma empresa venezuelana havia fabricado urnas eletrônicas utilizadas no Brasil. Segundo ele, a empresa teria participado de etapas relacionadas ao processo eleitoral organizado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas não teria fabricado os equipamentos.

Questionado se respeitaria o resultado caso fosse derrotado, Flávio respondeu que sim. Em seguida, porém, disse acreditar que não perderá a disputa. “Eu não vou perder essa eleição. E digo mais: vou ganhar no primeiro turno”, declarou.

“A única relação que eu tinha com Vorcaro era sobre o filme”

Flávio defendeu o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Segundo o candidato, não houve irregularidade na operação e os recursos foram destinados ao projeto cinematográfico, não a ele.

“Não tem nada de errado em um filho buscar financiamento para um filme do próprio pai”, afirmou.

Questionado sobre uma mensagem em que afirmou que estaria “sempre” com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Flávio afirmou que a declaração se referia ao projeto cinematográfico. “A única relação que eu tinha com ele era sobre esse filme e mais nada”, disse.

Tarifaço: Eduardo errou ao agradecer Trump

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil também foi abordado na entrevista. O candidato do PL atribuiu ao governo Lula a responsabilidade pela medida adotada pelo presidente americano Donald Trump e criticou o irmão, Eduardo Bolsonaro, por ter comemorado as tarifas.

Para Flávio, o governo brasileiro contribuiu para a decisão americana ao elevar o tom contra Trump. “O Lula procurou muito essa tarifa, xingou, ameaçou. Ele conseguiu”, afirmou.

Apesar da crítica, o senador saiu em defesa de Eduardo. Disse que o deputado federal cassado atuou nos Estados Unidos para defender seus interesses, mas não pediu a aplicação das tarifas contra o Brasil. Na avaliação de Flávio, a decisão partiu exclusivamente do governo americano.

“Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas”, afirmou.

Flávio disse ainda que se posicionou contra o tarifaço e que, se eleito, pretende atuar pela retirada das medidas junto ao governo dos Estados Unidos.

PIX e governo Trump

O candidato também rejeitou a possibilidade de colocar o PIX em uma eventual negociação com os Estados Unidos. A hipótese havia sido levantada a partir de uma declaração de Eduardo Bolsonaro sobre uma possível resposta brasileira ao tarifaço. “De forma alguma. O PIX é sagrado, é do brasileiro”, disse Flávio. Segundo o senador, a declaração do irmão foi interpretada de forma equivocada.

Ajuste fiscal e salário mínimo

Flávio afirmou que o ajuste fiscal será uma prioridade de seu eventual governo e disse que pretende fazer um “tesouraço” nos gastos públicos e nos cargos comissionados.

Ao ser questionado sobre o salário mínimo e as aposentadorias, negou que pretenda reduzir o valor do piso. “Quem recebe salário mínimo hoje está perdendo o poder de compra devido à gastança do governo. Vou fazer um tesouraço dos gastos e nos cargos comissionados”, afirmou.

A campanha de Flávio também defende uma reforma do Estado, redução de impostos e burocracia e mudanças na gestão das empresas e do patrimônio da União.

As propostas foram apresentadas por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha, durante o evento Agenda Brasil 2026: Competitividade em Debate, promovido pela EXAME e pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), em São Paulo, na terça-feira, 25.

Flávio diz que desconhecia acusações contra Bacellar

O candidato também foi questionado sobre seu apoio a Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, que está preso. Flávio afirmou que não tinha conhecimento das acusações contra o político quando apoiou sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro. Segundo a entrevistadora, a Polícia Federal apontou que Bacellar exerceria liderança política de um núcleo ligado ao Comando Vermelho.

“Se eu soubesse disso, jamais [o apoiaria]”, afirmou Flávio.

O senador classificou as acusações como “gravíssimas”, caso sejam comprovadas. Segundo ele, o nome de Bacellar surgiu em uma composição partidária no Rio por indicação de um partido que fazia parte da coalizão.

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