Brasil

Fachin pede a Mendonça que retire o sigilo de todos os processos do caso Master

Relator do caso poderá atender, ou não, o pedido do presidente do STF

Edson Fachin, presidente do STF (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)

Edson Fachin, presidente do STF (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 10 de setembro de 2026 às 22h59.

Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 23h32.

Priorizar nos meus resultados Google

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou ao ministro André Mendonça que envie à presidência da Corte e aos gabinetes de todos os colegas do STF "todos os procedimentos contidos ou relacionados" a dois processos do caso do Banco Master e o levantamento do sigilo dos autos, "ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida".

Em despacho de uma página proferido na noite desta quinta-feira, 10, Fachin cita dois processos. Um deles é o inquérito principal do caso Master, que contém a íntegra das extrações de mensagens enviadas por Daniel Vorcaro por meio de seus celulares. O outro contém apenas o relatório da Polícia Federal que expõe a relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, e é o processo que está na pauta de julgamentos do STF do dia 15 de setembro. Nessa data, o plenário da Corte vai decidir se abre ou não uma investigação formal sobre Moraes.

Mendonça, que é relator do caso, pode acatar ou não o pedido de Fachin, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.

Pessoas ligadas ao ministro afirmam que o entendimento de Mendonça sobre o despacho de Fachin é que apenas devem ser tornadas públicas as informações ligadas ao julgamento do dia 15, ou seja, a Alexandre de Moraes.

O pedido de levantamento do sigilo do caso Master já havia sido feito publicamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira, 9, e pelo Partido dos Trabalhadores nesta quinta-feira. Lula argumenta que há "vazamentos seletivos" que, na visão de lideranças petistas, são politicamente motivados e tendem a desequilibrar a disputa eleitoral.

Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo apenas do processo que inclui as mensagens de Vorcaro e Moraes. Esse processo reúne provas e informações da Polícia Federal obtidas a partir da análise de celulares do banqueiro, preso no âmbito da operação Compliance Zero.

As mensagens trocadas com Moraes e reveladas nos autos incluem pedidos de Vorcaro para que o ministro interviesse junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao delegado-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para blindá-lo. Não há nos autos respostas do ministro ao banqueiro porque Moraes apagava as mensagens após enviá-las.

O ministro do STF não respondeu, até o momento, sobre o teor das mensagens nem sobre os valores recebidos pelo escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, de empresas ligadas a Vorcaro.

Há pelo menos dois contratos. Um deles, datado de janeiro de 2024, previa o pagamento de R$ 131 milhões em honorários advocatícios e foi submetido à análise do ministro Alexandre de Moraes antes mesmo de sua assinatura.

Outro contrato, de R$ 60 milhões, datado de 12 de maio de 2025, foi firmado entre o Barci de Moraes Sociedade de Advogados e a Vikings Participações Ltda, empresa ligada a Vorcaro, e previa pagamentos ao longo de três anos, sendo que parte dos repsses foi feita em cotas de aeronaves.

'Infiltração nas mais elevadas instâncias'

No relatório que agora será apreciado pelo plenário do STF, a PF apontou indícios de que Vorcaro teria estruturado uma rede com "potencial infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições da República"

No material, Vorcaro pergunta a Moraes, em mensagem a Moraes via Whatsapp, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso pela primeira vez, se tinha de deixar o país.

Reprodução de relatório da PF com mensagem enviada por Daniel Vorcado a Alexandre de Moraes dois dias antes de o banqueiro ser preso (Reprodução)

O ex-banqueiro também aparece pedindo, por mensagens, que Moraes interviesse junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para interromper as investigações sobre as fraudes supostamente cometidas pelo Banco Master.

Acompanhe tudo sobre:Supremo Tribunal Federal (STF)Edson FachinAndré Mendonça

Mais de Brasil

'No meu governo, não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal. Eu faço na prática', diz Lula

Lula diz que pediu para Fachin abrir sigilo de 'todo mundo' para colocar 'ordem na casa'

Pesquisa AtlasIntel: Mitidieri tem 41,3% e Valmir, 34,2%, no 1º turno em Sergipe

PT em transe? Avanço de Flávio amplia pressão de aliados sobre comando da campanha de Lula