Lula: responsabilidade com as contas públicas deve ser demonstrada na prática (Mandel NGAN/AFP)
Repórter
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 20h49.
Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 22h02.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 10, que não considera necessário discutir ajuste fiscal em seu governo. Segundo ele, a responsabilidade com as contas públicas deve ser demonstrada na prática.
“Portanto, no meu governo, não tem essa de ficar discutindo ajuste fiscal não. Ajuste fiscal eu faço na prática”, disse, em entrevista ao SBT.
Para sustentar o argumento, o candidato à reeleição disse que, somando os oito anos de seus dois primeiros mandatos ao período atual, acumula 12 anos à frente da política fiscal do país.
Questionado sobre o peso crescente da dívida pública e as críticas sobre as contas, Lula rebateu afirmando que poucos teriam autoridade para questioná-lo sobre o tema e voltou a citar o resultado obtido em seus dois primeiros mandatos.
"Eu não aprendi [isso] na universidade. Eu aprendi com a Dona Lindu [sua mãe]. A gente só gasta aquilo que a gente tem. E se a gente tiver que fazer uma dívida, a gente faz uma dívida para aumentar o patrimônio da gente", disse.
Lula defendeu a educação como o principal exemplo de investimento capaz de ampliar o patrimônio do país por meio da qualificação da mão de obra.
Ao ser questionado sobre como pretende equilibrar as contas públicas sem aumentar o endividamento, uma das principais críticas do mercado financeiro ao governo, Lula mudou o tom e direcionou críticas à Faria Lima, principal centro financeiro do país - localizado em São Paulo.
"A Faria Lima só chora. A Faria Lima não conhece a palavra social. A Faria Lima não conhece a palavra inclusão. A única inclusão que ela conhece é a taxa de juros para ele receber dinheiro que eu poderia estar gastando na educação", disse.
Em seguida, o presidente voltou a defender o aumento dos investimentos em educação como prioridade de seu governo, atribuindo a essa área o peso de resgatar um atraso histórico. "Investimento em educação é investimento. E eu vou fazer. Porque eu vou ser o responsável de tirar esse país do esquecimento educacional que ele foi submetido durante 420 anos", declarou.