Lula também defendeu a abertura do sigilo das investigações relacionadas ao caso do INSS (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Repórter
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 20h20.
Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 21h53.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender nesta quinta-feira, 10, a abertura do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master. Em entrevista ao SBT, ele revelou ter pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que tome medidas para "colocar ordem na casa" e recuperar a credibilidade da Corte, abalada pela recente crise interna.
Ao ser questionado se a crise pode afetar o resultado das eleições, Lula fez questão de separar as investigações sobre o caso do calendário eleitoral. Segundo o presidente, as apurações conduzidas pelo STF não deveriam interferir na disputa de outubro.
“Eu acho que necessariamente uma apuração feita pela Suprema Corte não deveria impactar no processo eleitoral. Deveria ser visto como uma coisa natural”, afirmou.
Ainda assim, o presidente criticou novamente o que classifica como "vazamentos seletivos" de informações sigilosas — o que, segundo Lula, pode carregar viés político e distorcer a percepção pública sobre o caso.
"[Por isso digo] apure tudo, divulgue tudo, doa a quem doer", disse, acrescentando que a publicidade das informações ajudaria a recuperar o prestígio do STF diante da sociedade.
Lula ainda elogiou a atuação de Fachin nos últimos dias, dizendo que considerou que o ministro "agiu corretamente" ao intervir no caso.
Questionado se o ministro Alexandre de Moraes também deveria ser alvo de investigação, Lula disse que "do presidente da Suprema Corte ao presidente da República todo mundo deve ser investigado".
"Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar", disse.
Lula ainda negou que o governo esteja envolvido na crise relacionada ao Banco Master. O presidente destacou que o banco foi criado durante o governo de Jair Bolsonaro, enquanto a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e o fechamento da instituição ocorreram durante sua gestão. “O governo não tem nada a ver com a crise institucional”, disse.
Lula também defendeu a abertura do sigilo das investigações relacionadas ao caso do INSS. “Eu sou favorável a abrir tudo, toda vez que tiver uma denúncia envolvendo o Poder Judiciário, envolvendo a política”, afirmou.
O Supremo Tribunal Federal (STF) passa, desde o início de setembro, por uma das maiores crises internas dos últimos anos. O conflito envolve principalmente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, mas já alcançou a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a cúpula da Polícia Federal (PF).
A crise começou após um relatório da PF sobre mensagens trocadas por Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, incluindo conversas endereçadas a um número atribuído a Moraes. Em menos de dez dias, o episódio provocou acusações cruzadas entre os ministros e chegou ao comando da PF, com decisões conflitantes de Mendonça e do ministro Flávio Dino.
Ao intervir na quarta-feira, 9, Fachin marcou para a próxima terça-feira, 15 de setembro, o julgamento em Plenário que vai definir se o relatório da PF sobre a relação entre Moraes e Vorcaro justifica a abertura de uma investigação contra o ministro.
Na mesma decisão, o presidente do STF retirou de Moraes a relatoria do inquérito das fake news, com exceção dos pontos que já têm decisão em curso. O restante do processo ficará sob responsabilidade da Presidência da Corte.
Fachin também retirou de Mendonça parte da relatoria do caso Banco Master. A medida envolve especificamente o trecho em que o ministro tornou públicas as conversas entre Moraes e Vorcaro e sugeriu a abertura de uma investigação contra o colega. A partir de agora, qualquer outro pedido de investigação contra ministros do STF deverá ser comunicado à Presidência da Corte.
O embate também ganhou dimensão política. A menos de um mês do início oficial da propaganda para as eleições de outubro, a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) reforça o pedido de impeachment de Moraes. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a derrubada do sigilo do inquérito do Banco Master para evitar “vazamentos seletivos”.
O episódio já é discutido como possível gatilho para um pedido de impeachment, embora juristas apontem que o desenho institucional brasileiro oferece poucos caminhos alternativos.