Autismo: estudo estima que o TEA afeta 0,53% da população brasileira (Freepik)
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Publicado em 15 de agosto de 2026 às 08h27.
O Brasil tinha mais de 1,1 milhão de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) em 2023, o equivalente a 0,53% da população, segundo um estudo publicado na última sexta-feira, 7, na Revista Brasileira de Epidemiologia.
A pesquisa também estima que o impacto da condição corresponde a 207 mil anos de vida saudável perdidos, indicador utilizado para medir quanto uma doença compromete a qualidade de vida da população.
O levantamento foi realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.
A pesquisa é o primeiro levantamento nacional sobre o TEA baseado nas estimativas do Global Burden of Disease (GBD), um dos principais projetos internacionais de avaliação da carga de doenças.
Diferentemente do Censo Demográfico de 2022, que utilizou informações de autorrelato, o estudo empregou modelos epidemiológicos para estimar a prevalência, a incidência e o impacto do transtorno na população brasileira.
Segundo os resultados, havia mais de 23 mil novos casos estimados de TEA em 2023.Os pesquisadores também observaram que, entre 1990 e 2023, houve um leve aumento nas taxas ajustadas por idade de prevalência, incidência e impacto da condição na saúde da população.
No caso da prevalência, porém, essa variação não foi considerada estatisticamente significativa, indicando estabilidade ao longo do período analisado. Já a taxa bruta de incidência apresentou redução, passando de 12,96 para 11,19 casos por 100 mil habitantes.
Ainda, o estudo identificou que o transtorno do espectro autista é mais prevalente entre homens e em crianças com menos de cinco anos.
Apesar dos resultados, os autores destacam que os números devem ser interpretados com cautela, já que o acesso ao diagnóstico ainda é desigual entre diferentes regiões e grupos populacionais do país.
Segundo a pesquisadora Nathalia Dimer, uma das autoras do estudo, a redução observada na incidência não indica que existam menos pessoas autistas no Brasil.
"Esse achado não significa, necessariamente, que existam menos pessoas autistas hoje. É importante interpretar com cautela, considerando que o acesso ao diagnóstico ainda é desigual no Brasil e que os métodos utilizados para estimar esses indicadores também evoluem ao longo do tempo", afirma.
Os resultados diferem dos apresentados pelo Censo 2022, que estimou que 1,2% da população brasileira se identificava como autista.
Segundo os pesquisadores, a divergência é esperada porque os dois levantamentos utilizam metodologias diferentes. Enquanto o Censo se baseia em informações declaradas pelos entrevistados, o estudo utilizou estimativas epidemiológicas do Global Burden of Disease.
Além disso, os autores ressaltam que o acesso desigual ao diagnóstico pode influenciar ambas as estimativas.
Diante disso, para os pesquisadores, ampliar a produção de dados epidemiológicos sobre o transtorno do espectro autista é fundamental para orientar políticas públicas e melhorar o planejamento da assistência.
Segundo Nathalia Dimer, investir em pesquisas de qualidade e na produção de dados primários permitirá compreender melhor a realidade do autismo no Brasil e apoiar a elaboração de estratégias mais eficazes para atender pessoas autistas e suas famílias.
“Quanto melhores forem os dados disponíveis, mais precisas serão as políticas públicas e o planejamento da assistência às pessoas autistas e suas famílias”, destaca.