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Habilidade em inteligência artificial já rende salário 62% maior, aponta pesquisa (Magnific/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 18 de agosto de 2026 às 17h42.
A inteligência artificial pode ter impacto direto sobre o valor de determinadas competências no mercado de trabalho. O Global AI Jobs Barometer 2026, da PwC, analisou mais de 1 bilhão de anúncios de emprego em seis continentes e identificou um prêmio salarial médio de 62% para profissionais com habilidades em IA.
O número representa a diferença entre os salários anunciados para vagas que exigem competências relacionadas à IA e aqueles oferecidos em posições comparáveis sem essa exigência.
Segundo a PwC, o prêmio salarial médio para profissionais com habilidades em inteligência artificial subiu de 57% para 62% entre as edições mais recentes do levantamento. A pesquisa considera competências como engenharia de prompts e machine learning, entre outras.
A valorização, porém, não é igual em todas as áreas. No levantamento de 2026, o prêmio chegou a 118% em setores de consumo e ficou em 16% no setor público. A própria PwC ressalta que os números são uma fotografia do mercado, e não uma previsão de aumento salarial individual.
Outro dado ajuda a dimensionar a mudança: empregos que exigem habilidades específicas de IA cresceram 69% desde 2019, enquanto o mercado de trabalho como um todo avançou 9% no mesmo período.
A valorização da inteligência artificial não se limita a profissionais de tecnologia. Um estudo publicado pela Oxford Internet Institute, da Universidade de Oxford, analisou cerca de 11 milhões de anúncios de emprego no Reino Unido e identificou um prêmio salarial de 23% para vagas que exigiam habilidades de IA.
O levantamento também mostrou uma mudança nos critérios de contratação. Entre 2018 e 2023, a demanda por funções relacionadas à IA cresceu 21%, enquanto a presença de exigências de formação universitária caiu 15% nessas vagas
Na prática, isso amplia o campo de aplicação da competência. Profissionais de marketing podem utilizar IA para análise e produção de conteúdo; equipes financeiras podem automatizar análises; e gestores podem usar ferramentas para organizar informações e apoiar decisões.
O dado salarial não significa que aprender uma ferramenta específica seja suficiente para conseguir uma remuneração maior. O diferencial está na combinação entre conhecimento da área e uso da IA.
Para quem pretende desenvolver essa competência, alguns caminhos são:
A própria PwC identificou que funções mais expostas à IA estão aumentando a exigência por competências humanas. Em cargos de entrada mais expostos à tecnologia, habilidades tradicionalmente associadas a profissionais mais experientes, como julgamento e liderança, aparecem com maior frequência.
O primeiro passo é relacionar a inteligência artificial aos problemas que já fazem parte da rotina profissional. Em vez de estudar a tecnologia de maneira genérica, o trabalhador pode escolher uma atividade concreta, testar uma ferramenta e comparar o resultado com o processo tradicional.
Esse aprendizado também pode ser documentado em projetos, apresentações ou exemplos de produtividade. Dessa forma, a competência deixa de aparecer apenas como uma informação no currículo e passa a ser demonstrada na prática.