Eduardo Bolsonaro: em entrevista desta terça-feira, 21, o ex-deputado minimizou os efeitos políticos da disputa familiar sobre a campanha presidencial do irmão (Agência Câmara/Agência Câmara)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 21 de julho de 2026 às 17h51.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) classificou nesta terça-feira, 21, como "imatura" a decisão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro de divulgar um vídeo com críticas ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Em entrevista concedida ao portal Metrópoles, Eduardo afirmou que a madrasta "jamais" deveria ter exposto o conflito e defendeu que divergências familiares sejam resolvidas de forma reservada.
"Essas disputas internas infelizmente vieram a público. Acho que demonstra até uma imaturidade (...). Foi uma imaturidade da Michelle. Ela jamais poderia ter feito aquele vídeo. Esses assuntos eu não vou mais comentar para não dar pano para a manga. É internamente que a gente resolve esse tipo de coisa", declarou.
O episódio ampliou a crise interna no bolsonarismo após Michelle divulgar, há cerca de um mês, um vídeo em que afirmou ter sido isolada politicamente pelo enteado. A manifestação pública abriu um novo foco de desgaste para a pré-campanha presidencial de Flávio ao expor divergências dentro da família Bolsonaro.
Na entrevista, Eduardo Bolsonaro também procurou minimizar os efeitos políticos da disputa familiar sobre a campanha presidencial do irmão. Segundo ele, a principal queda enfrentada por Flávio nas pesquisas esteve relacionada ao caso envolvendo o filme "Dark Horse" e o banqueiro Daniel Vorcaro, e não ao embate com Michelle.
"O Flávio já se recupera daquela oscilação que ele teve para baixo com relação ao 'Dark Horse', não com relação à Michelle. E eu acho que vamos chegar com cada vez mais gente apoiando o Flávio", afirmou.
O ex-deputado também disse acreditar que a candidatura de Flávio tem atraído partidos de centro e afirmou esperar que o campo da direita chegue mais unido às eleições, apesar de legendas como a federação União-PP e o Republicanos ainda não integrarem o projeto presidencial.
A crise teve início durante as negociações do PL para a disputa ao Senado no Ceará. Michelle defendia a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL-CE), vice-presidente nacional do PL Mulher e uma de suas principais aliadas.
Flávio, por outro lado, conduziu as articulações que levaram o partido a apoiar Alcides Fernandes (PL-CE), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE).
Insatisfeita com o desfecho das negociações, Michelle publicou um vídeo acusando aliados de Flávio de trabalharem para retirar Priscila da disputa e questionou diretamente a condução política do senador.
Dias depois, a ex-primeira-dama anunciou sua saída da presidência do PL Mulher. Embora tenha atribuído a decisão à necessidade de dedicar mais tempo ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e à filha Laura, aliados reconhecem que o conflito acelerou seu afastamento do comando do segmento feminino do partido e aprofundou o racha interno.
Com O Globo