Três linhas do metrô de São Paulo passam a funcionar por meio de concessão. (Rovena Rosa/Agência Brasil)
Colaboradora
Publicado em 21 de julho de 2026 às 15h54.
A partir desta terça-feira (21/7), as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade do sistema de trens metropolitanos de São Paulo têm uma nova operadora.
A Trivia Trens, concessionária que integra o Grupo Comporte, assume a chamada operação assistida desses ramais, além do Expresso Aeroporto, que liga a estação Engenheiro Goulart ao Aeroporto de Guarulhos.
A mudança faz parte do contrato de concessão do Lote Alto Tietê, assinado em julho de 2025 com o governo do estado de São Paulo.
O contrato tem duração de 25 anos e prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos na infraestrutura das três linhas.
Até então, as linhas eram administradas pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), estatal ligada à Secretaria dos Transportes Metropolitanos do estado.
Com a chegada da Trivia, seis das sete linhas que compunham a malha da CPTM já estão nas mãos da iniciativa privada. A estatal permanece responsável apenas pela linha 10-Turquesa.
A concessão das linhas 11, 12 e 13 é parte de um programa mais amplo do governo paulista para transferir a operação dos trens metropolitanos à iniciativa privada.
O processo começou em 2021, com a concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda para a ViaMobilidade, e seguiu em 2025 com a linha 7-Rubi, assumida pela TIC Trens em novembro daquele ano.
Segundo o governo do estado, o objetivo da concessão é atrair investimentos privados para modernizar a infraestrutura ferroviária, ampliar a capacidade de transporte e reduzir o intervalo entre os trens, algo que a gestão estadual considera mais difícil de bancar apenas com recursos públicos.
O contrato do Lote Alto Tietê foi definido em leilão realizado na B3 e prevê a construção de oito novas estações ao longo das três linhas, com ampliação de 22,6 quilômetros na malha.
A expectativa do governo é que a média diária de passageiros das linhas suba dos atuais cerca de 900 mil para 1,3 milhão até 2040, um crescimento de até 238% na capacidade operacional, segundo dados da Agência SP, veículo oficial de comunicação do governo paulista.
Antes da assunção integral, a Trivia passou por duas etapas de transição: a prática operacional supervisionada, iniciada em 21 de maio, e agora a operação assistida, que começa nesta terça.
Para quem usa as linhas 11, 12 e 13 no dia a dia, a rotina não muda de imediato. As linhas continuam funcionando todos os dias, inclusive aos finais de semana e feriados, das 4h à 0h. O Expresso Aeroporto opera das 5h à 0h.
O valor da passagem também segue igual. A tarifa básica do sistema metroferroviário de São Paulo, que vale para metrô, CPTM e as linhas já concedidas, está em R$ 5,40 desde janeiro de 2026, conforme reajuste definido pelo governo do estado.
A Trivia não tem autonomia para alterar esse valor, já que a tarifa é determinada pelo poder público.
O que muda é a responsabilidade pela operação, manutenção e gestão das linhas, que passa a ser da concessionária.
Durante a fase de operação assistida, que deve seguir até julho de 2027, a CPTM mantém parte de seus funcionários atuando nas linhas, com ressarcimento financeiro pago pela Trivia, para garantir a continuidade do serviço.
A fiscalização de todo o processo é feita pela Artesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo).
As mudanças mais visíveis para o passageiro devem vir de forma gradual, à medida que as obras avançam.
Segundo o contrato, a linha 13-Jade deve receber quatro novas estações (Jardim dos Eucaliptos, São João, Presidente Dutra e Bonsucesso), além da reforma das estações Engenheiro Goulart, Guarulhos-CECAP e Aeroporto-Guarulhos.
Já a linha 11-Coral deve ganhar novas estações e ter o intervalo entre trens reduzido, com extensão do trecho até a região de César de Sousa. Na linha 12-Safira, está prevista a reconstrução da estação Itaquaquecetuba e a criação de novas paradas, entre elas uma em Suzano.
A Trivia já havia informado que, antes da operação assistida, iniciou obras de melhoria em 23 das 29 estações físicas das três linhas, com ações em iluminação, comunicação visual, acessibilidade e sinalização. A reforma completa das estações e a substituição de trilhos e dormentes, no entanto, começam de fato depois desta etapa, quando a concessionária assumir a operação por completo.