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Chance de reeleição de Lula sobe para 60%, diz Eurasia

Relatório atribui melhora principalmente ao avanço da aprovação do presidente, enquanto mantém alerta para segurança pública e corrupção como principais riscos para o petista

Lula: pacote de medidas do governo aumentaram a avaliação positiva nos últimos meses (Ricardo Stuckert - Presidência da República)

Lula: pacote de medidas do governo aumentaram a avaliação positiva nos últimos meses (Ricardo Stuckert - Presidência da República)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 9 de julho de 2026 às 09h20.

Última atualização em 9 de julho de 2026 às 09h28.

A Eurasia Group elevou de 55% para 60% a probabilidade de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa de 2026. Segundo relatório divulgado pela consultoria e pesquisa de risco político no início deste mês, a revisão reflete principalmente a recuperação da aprovação do governo nos últimos meses, e não o desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro (PL) após o escândalo envolvendo o Master Bank.

A consultoria afirma que a aprovação de Lula voltou a superar 47%, depois de atingir o piso de 44,6% no fim de abril. Para a Eurasia, esse movimento reduz os riscos eleitorais do presidente, porque a avaliação positiva costuma ser um indicador mais confiável do resultado das eleições do que as pesquisas de intenção de voto antes do início oficial da campanha.

No histórico apresentado pelo relatório, todos os candidatos à reeleição que tinham 44% de aprovação seis meses antes da eleição conseguiram aumentar esse percentual até o dia da eleição e foram reeleitos.

O único derrota em uma campanha de reeleição desde a redemocratização, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tinha 35% de aprovação a 180 dias da corrida eleitoral de 2022.

O relatório sustenta que um avanço de aproximadamente três pontos percentuais na aprovação presidencial aumenta em mais de 10 pontos percentuais a probabilidade histórica de reeleição de um presidente em exercício.

Em 2014, a aprovação de Dilma Rousseff subiu quatro pontos, passando de 44% para 48% entre abril e outubro. Ela venceu aquela eleição por três pontos percentuais.

Lula também registrava 44% de aprovação em abril e já alcançou 47% antes mesmo do início oficial da campanha.

Desafio de Lula com segurança e corrupção

Apesar da melhora, a consultoria afirma que Lula continua distante de uma posição confortável. Segundo a Eurasia, a eleição permanece aberta porque os principais temas de preocupação do eleitorado continuam sendo segurança pública e corrupção, áreas nas quais a oposição mantém vantagem competitiva.

A avaliação da empresa se apoia em uma média padronizada de pesquisas de AtlasIntel, Datafolha, Nexus e Quaest. Entre março e junho, a preocupação dos brasileiros com segurança e criminalidade passou de 21% para 23,6%. A corrupção subiu de 18,4% para 22%, enquanto a saúde avançou de 15,5% para 18,1%. Em sentido contrário, economia e inflação permaneceram praticamente estáveis, passando de 9,7% para 9,5%.

Segundo a Eurasia, em cerca de 80% das eleições, o candidato considerado mais forte no principal tema de preocupação do eleitor acaba vencedor da disputa.

A consultoria afirma que, embora Flávio Bolsonaro dificilmente seja percebido pelos eleitores como mais confiável do que Lula no combate à corrupção, ele tende a apresentar maior credibilidade na pauta da segurança pública.

O que levou a Eurasia a elevar as chances de Lula

A Eurasia afirma que a melhora da avaliação do governo começou antes mesmo da repercussão do caso do banco Master. Para a consultoria, o principal fator foi o efeito acumulado de políticas anunciadas pelo governo, como a ampliação de benefícios para famílias de renda média e baixa, o Desenrola 2.0, subsídios na conta de energia elétrica, auxílio para gás de cozinha e a proposta do fim da escala 6x1. 

Outro fator considerado positivo foi a redução do risco de aceleração da inflação dos alimentos. Segundo o relatório, a perspectiva de manutenção do acordo entre Estados Unidos e Irã reduziu as preocupações com impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais, enquanto a inflação de alimentos no Brasil permaneceu abaixo das expectativas.

Mesmo assim, a consultoria observa que a vantagem de Lula nas simulações de segundo turno diminuiu recentemente. A pesquisa BTG/Nexus citada no relatório mostra que a diferença para Flávio Bolsonaro caiu de seis para três pontos percentuais, indicando perda de parte do impulso provocado pelo vazamento do áudio envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco Master.

Quatro fatores que podem alterar o cenário

A Eurasia Group aponta quatro variáveis capazes de modificar as probabilidades da eleição até outubro de 2026:

  • continuidade da recuperação da aprovação de Lula, hoje estimada entre 47% e 48%;
  • evolução das investigações envolvendo o banco Master e possíveis desdobramentos políticos;
  • surgimento de um novo candidato competitivo no campo da direita para disputar espaço com Flávio Bolsonaro;
  • qualidade das campanhas eleitorais, considerada pela consultoria um fator mais relevante nesta eleição do que em disputas anteriores.

Segundo o relatório, embora Lula permaneça favorito, a combinação entre a melhora da aprovação presidencial e as fragilidades da oposição ainda não elimina a competitividade da disputa.

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