Trabalho formal: o Brasil se destaca no cenário latinoamericano pelas taxas de formalidade no trabalho; em 2004, 50% da população tinha emprego formal (Jorge Rosenberg/Reuters)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 14h30.
O Brasil aparece como o 4º país com maior proporção de trabalhadores formais da América Latina, segundo um novo relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicado nesta segunda-feira, 3. Em 2024, 65% dos trabalhadores brasileiros estavam empregados em ocupações formais, percentual superior à média regional de 46%.
O resultado coloca o país atrás apenas de Uruguai (79%), Costa Rica (76%) e Chile (72%), consolidando o Brasil entre os mercados de trabalho mais formalizados da região.
Ao mesmo tempo, o levantamento mostra que a América Latina continua marcada por elevados níveis de informalidade. Em diversos países, menos de um terço da força de trabalho possui vínculo formal, como ocorre em Peru (21%), Bolívia (22%), Paraguai (26%) e Equador (28%).
Além da posição de destaque no ranking regional, o Brasil também registrou uma das maiores evoluções entre os países analisados. Em 2004, cerca de 50% dos trabalhadores brasileiros ocupavam empregos formais. Em vinte anos, esse percentual subiu para 65%, avanço de 15 pontos percentuais.
Apesar disso, outros países tenham apresentado crescimentos ainda maiores, como República Dominicana, que passou de 27% para 45%, e Colômbia, de 29% para 46%. Já o Brasil, devido sobretudo às políticas trabalhistas do meio do século XX, partia de uma base muito superior à média latino-americana.
Segundo o BID, esse avanço ocorreu em um contexto de expansão gradual do emprego formal em praticamente toda a região, impulsionado pela maior participação das mulheres no mercado de trabalho e pela ampliação da cobertura da seguridade social.
Apesar dos avanços, o relatório destaca que a estrutura do mercado de trabalho latino-americano mudou pouco nas últimas décadas. Em 2024, 46% dos trabalhadores da região ainda atuavam como autônomos ou empregados de microempresas, segmentos normalmente associados à baixa produtividade e à informalidade.
Além disso, apenas 28% dos trabalhadores latino-americanos possuíam o que o BID classifica como um emprego "padrão", um vínculo assalariado em empresa privada com cobertura da seguridade social.
Segundo o banco, essa estrutura limita o crescimento econômico porque reduz a produtividade e dificulta investimentos em qualificação profissional e inovação.
| País | Trabalhadores formais (2024) |
|---|---|
| Uruguai | 79% |
| Costa Rica | 76% |
| Chile | 72% |
| Brasil | 65% |
| Argentina | 47% |
| Panamá | 47% |
| Colômbia | 46% |
| Média da América Latina | 46% |
| República Dominicana | 45% |
| México | 42% |
| Venezuela | 35% |
| El Salvador | 31% |
| Equador | 28% |
| Paraguai | 26% |
| Bolívia | 22% |
| Guatemala | 21% |
| Peru | 21% |
Para o BID, aumentar a formalização foi importante, mas não resolve o principal problema do mercado de trabalho latino-americano.
O banco afirma que a produtividade permanece praticamente estagnada há décadas. Atualmente, são necessários quase quatro trabalhadores latino-americanos para produzir o equivalente a um trabalhador dos Estados Unidos.
O relatório conclui que ampliar o número de empregos formais precisa vir acompanhado de ganhos de produtividade, melhoria da qualificação profissional e expansão da proteção social para que os salários e a qualidade do emprego continuem avançando.