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Brasil cria 58,5 mil vagas em julho, abaixo do esperado, e aumenta apostas em corte de juros

Serviços, construção, agropecuária e indústria registraram saldo positivo no mês; salário médio de admissão subiu 0,6% em relação a junho

Trabalho no Brasil: número ficou bem abaixo da expectativa do mercado (Marcello Casal/Agência Brasil)

Trabalho no Brasil: número ficou bem abaixo da expectativa do mercado (Marcello Casal/Agência Brasil)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 28 de agosto de 2026 às 15h47.

Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 16h47.

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O Brasil criou 58.568 vagas de trabalho com carteira assinada em julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 28, pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O número ficou bem abaixo da expectativa do mercado, que previa a criação de 112 mil postos no período, além de cravar o menor resultado para o mês desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020.

Entre os cinco grandes setores da economia, quatro tiveram saldo positivo no mês. Serviços liderou a criação de vagas, com 24.098 postos, seguido por Construção, com 12.691; Agropecuária, com 12.523; e Indústria, com 11.315. O Comércio, por sua vez, teve saldo negativo, com o fechamento líquido de 2.056 vagas.

A forte frustração em relação às projeções aponta para uma possível perda de fôlego do mercado de trabalho formal, avalia Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. E, por mais que seja cedo para tratar esse movimento como tendência consolidada de desaceleração, a fraqueza dos dados deve levar a um aumento das apostas de uma queda de juros. Atualmente, a Selic está em 14%.

"Pode ter um aumento nas apostas para um corte de 0,25 p.p. na próxima reunião do Copom e até outra queda de mesma magnitude nas reuniões seguintes", avalia. 

Marcel Lima, especialista da Valor Investimentos, vai na mesma linha. Para ele, como a Selic está persistente na casa dos dois dígitos, a espera agora é de recuo. "A taxa básica de juros está há bastante tempo fazendo o que se espera dela, que é esfriar a economia", explica.

Como o emprego era o último indicador resistente e acabou cedendo, Lima explica que o movimento aumenta a chance de o Banco Central ter espaço para cortar juro já nos próximos meses.

Em relação aos investimentos, o especialista diz que quem está todo posicionado em pós-fixado talvez precise dar uma revisa na carteira. "É possível que a gente enfrente, felizmente, um cenário de queda de juro no médio prazo", conclui.

São Paulo lidera criação de vagas

São Paulo liderou, com 17.814 novos postos, a criação de vagas no Brasil, seguido por Mato Grosso, com 5.766, e Minas Gerais, com 5.199.

Na variação relativa, os principais resultados foram registrados no Amazonas, com alta de 0,63%; Mato Grosso, com 0,59%; e Piauí, com 0,52%.

Na outra ponta, o Espírito Santo teve a maior queda proporcional, de 0,28%, em razão da desmobilização das atividades do café, que resultou em redução de 4.271 postos. Tocantins teve retração de 0,16%, enquanto o Rio Grande do Sul caiu 0,03%.

Emprego cresce 2,06% no ano

De janeiro a julho, o país acumulou a criação de 972.203 postos formais, alta de 2,06%. O setor de Serviços concentrou a maior parte do resultado, com 591.519 vagas, crescimento de 2,58%.

Na sequência aparecem Construção, com 180.449 postos e alta de 6,12%; Indústria, com 154.052 vagas e crescimento de 1,72%; e Agropecuária, com 54.106 postos, alta de 2,99%.

O Comércio foi novamente o único dos cinco grandes grupamentos com saldo negativo no acumulado, com redução de 7.896 postos.

Salário médio fica em R$ 2.419,23 

O salário médio real de admissão ficou em R$ 2.419,23 em julho. O valor representa um aumento de R$ 15,13, ou 0,6%, em relação aos R$ 2.404,10 registrados em junho.

Na comparação com julho de 2025, o crescimento foi de R$ 48,38, equivalente a 2,04%.

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