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Anvisa mantém suspensão de produtos Ypê mesmo após autorizar retomada da produção

Órgão liberou fábrica de Amparo (SP), mas lotes com final 1 fabricados até março seguem proibidos

Ypê: lote proibido não pode ser distribuído ou comercializado

Ypê: lote proibido não pode ser distribuído ou comercializado

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 30 de maio de 2026 às 10h17.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que a suspensão de comercialização, distribuição e uso dos produtos Ypê com lote de numeração final 1 permanece em vigor. "Esses produtos devem permanecer armazenados em local seguro e não serem descartados. Sua liberação ocorrerá à medida em que a empresa apresentar laudos de laboratórios autorizados pela Anvisa", disse o órgão, em postagem nas redes sociais. Por outro lado, a Anvisa autorizou a retomada imediata das atividades da Química Amparo, fabricante da marca, na unidade de Amparo (SP). A autorização para voltar a produzir foi concedida após reinspeção conjunta que atestou avanços nas ações corretivas da empresa, mas não é suficiente para liberar os produtos já fabricados.

O que mudou — e o que não mudou

A autorização para retomada da produção foi concedida após uma reinspeção conjunta conduzida pela Anvisa em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP), o Grupo de Vigilância Sanitária de Campinas (GVS) e a Vigilância Sanitária de Amparo (Visa-Amparo). Os fiscais constataram que as principais ações corretivas exigidas pelo órgão foram implementadas pela empresa desde que duas linhas de produção foram suspensas em maio, após a identificação de falhas graves nos processos de controle de qualidade. "Verificamos que esta fábrica da Ypê já reúne as condições necessárias para operar com segurança e disponibilizar produtos sem risco sanitário para a população brasileira", afirmou Leandro Safatle, diretor da Anvisa, durante visita às instalações da Química Amparo. Apesar da reabertura da fábrica, detergentes lava-louças líquidos, sabões líquidos para roupas e desinfetantes da Ypê com lotes de numeração final 1, fabricados até 31 de março de 2026 e listados na Resolução RE 1.834/2026, continuam proibidos de circular no mercado. Os produtos retidos devem ser mantidos armazenados em local seguro e não podem ser descartados. A liberação desses itens está condicionada à apresentação, pela empresa, de laudos emitidos por laboratórios credenciados pela Anvisa.

O caminho até a reinspeção

A medida parcialmente reverte a decisão anunciada pelo órgão em 7 de maio, quando a Anvisa determinou o recolhimento dos detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca com final de lote 1 fabricados na unidade de Amparo, localizada a cerca de 130 quilômetros da capital paulista. Na época, o órgão apontou falhas nos processos de controle de qualidade da empresa. Em seguida, a Ypê apresentou recurso administrativo que chegou a suspender temporariamente os efeitos da decisão da Anvisa — embora a própria empresa tenha mantido suas linhas de produção paralisadas durante o período. A controvérsia em torno dos produtos ganhou ainda maior dimensão com a divulgação de que a bactéria Pseudomonas aeruginosa havia sido identificada nos lotes afetados — microrganismo associado a infecções hospitalares e particularmente perigoso para pessoas imunocomprometidas. Desde então, a Ypê apresentou um plano de ação para corrigir os 76 requisitos sanitários identificados na inspeção conjunta realizada em abril. A Anvisa informou que continuará monitorando a implementação das ações previstas no plano e que a coordenação com os governos municipal e estadual segue ativa.

O que fazer se você tem produtos do lote afetado

Para consumidores que ainda possuem em casa produtos da Ypê com lote de numeração final 1, a orientação da Anvisa segue a mesma: interromper o uso imediatamente, manter os itens armazenados em local seguro — longe de crianças e animais — e aguardar as instruções da empresa sobre o procedimento de recolhimento. Os produtos não devem ser jogados fora, descartados em pias, ralos ou lixo comum. A liberação para venda e uso dos itens suspensos só ocorrerá à medida em que a Química Amparo apresentar laudos de laboratórios autorizados pela Anvisa, comprovando que os produtos atendem aos requisitos sanitários exigidos.
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