Agregador Inteligov/EXAME: vantagem de Lula diminui (Ricardo Stuckert/PR/Agência Senado/Montagem/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 3 de setembro de 2026 às 07h00.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39,64% das intenções de voto e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 33,38%, segundo a nova rodada do Monitor Eleitoral, agregador de pesquisas eleitorais da Inteligov em parceria com a EXAME, divulgado nesta quinta-feira, 3.
A diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro caiu de 6,67 pontos percentuais para 6,26 pontos, com os dois candidatos praticamente estáveis na Média Móvel Ponderada do agregador.Em relação ao levantamento anterior, realizado em 17 de agosto, Lula passou de 39,71% para 39,64%, enquanto Flávio variou de 33,04% para 33,38%.
A tendência do presidente mudou de 0,23 ponto percentual positivo para uma variação de -0,07 ponto, enquanto o senador passou de -0,04 para +0,08 ponto percentual.
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Segundo Leandro Terra Adriano, doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e responsável técnico pelo agregador, o cenário da disputa presidencial permanece praticamente inalterado na média dos levantamentos.
"A Média Móvel Ponderada sugere que nada mudou, mas a diferença encolheu", afirma.
Apesar da estabilidade no agregado, o professor aponta que os movimentos mais recentes aparecem principalmente nas pesquisas de segundo turno, que ainda não foram incorporadas integralmente à média principal.
Entre 21 e 26 de agosto, levantamentos apresentaram resultados diferentes para uma eventual disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. A pesquisa Nexus/BTG mostrou 46% a 45%; PoderData apontou 45% a 44%; o Gerp indicou vantagem de Flávio, com 47% a 42%; enquanto Indexa/Broadcast manteve Lula seis pontos à frente. A AtlasIntel, com coleta realizada entre 25 e 30 de agosto, registrou 47,1% para Lula e 42,6% para Flávio.
“Sete pontos de dispersão na mesma semana, e este sim é o viés que nossa agregação consegue capturar”, afirma Adriano sobre a diferença entre os resultados dos levantamentos de segundo turno.Na terceira colocação aparece o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 4,70% das intenções de voto, seguido pelo ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 3,11%.
O presidente do partido Missão, Renan Santos, tem 3,49%, enquanto o influenciador Pablo Marçal (PRTB) aparece com 2,79%. Marçal está inelegível até 2032, mas ainda não teve sua candidatura julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O escritor e médico Augusto Cury (Avante) soma 1,76%. Alta de Cury registrada nas últimas pesquisas, divulgadas após o último recorte do agregador, deve ser captada na próxima edição do agregador.
Os demais nomes aparecem abaixo de 1%: Samara Martins (UP), com 0,83%; Rui Costa Pimenta (PCO), com 0,36%; Edmilson Costa (PCB), com 0,20%; Hertz Dias (PSTU), com 0,17%; Veterinário Wilson Grassi (Democrata), com 0,14%; e Clariana Barão (DC), com 0,12%.
A rodada atual do agregador considera um período anterior ao início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão. O horário eleitoral gratuito começou em 28 de agosto, com a propaganda presidencial iniciada no dia seguinte.
O corte do Monitor Eleitoral em 31 de agosto representa a última fotografia da disputa antes da entrada do horário eleitoral na campanha presidencial.Adriano afirma que os próximos levantamentos poderão captar os efeitos da exposição dos candidatos na televisão e também de acontecimentos recentes envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo o professor, o episódio pode afetar a avaliação de Lula pela associação política com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mas o impacto dependerá da reação do presidente diante do caso.
O Monitor Eleitoral não utiliza uma média aritmética simples das pesquisas. O modelo calcula uma Média Móvel Ponderada, método que atribui pesos diferentes aos levantamentos conforme critérios como metodologia utilizada e data de realização.
Pesquisas presenciais domiciliares recebem peso integral no modelo, enquanto levantamentos feitos por IVR, sistema automatizado de entrevistas por telefone, e pela internet têm redução de 30% a 45% em sua influência estatística.A metodologia também considera a atualização dos dados. O peso de uma pesquisa é reduzido em 25% a cada quinzena após sua realização. Assim, levantamentos antigos permanecem no histórico, mas influenciam menos a média conforme novas pesquisas entram na base.
O objetivo do modelo é combinar o retrato mais recente da disputa com a trajetória acumulada desde março, quando o agregador iniciou sua série histórica.
A cada rodada, novas pesquisas registradas no TSE são incorporadas ao cálculo. A base utilizada considera os levantamentos disponíveis no PesqEle, sistema de registro de pesquisas eleitorais da Justiça Eleitoral.