Lula na ONU: presidente não deve ter reunião bilateral com Donald Trump. (Ricardo Stuckert / PR/Divulgação)
Editora ESG
Publicado em 20 de setembro de 2026 às 22h52.
Nova York — Lula desembarcou em Nova York na noite deste domingo, 20, acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e sem falar com a imprensa.
Até o momento, não há reunião prevista com o presidente americano, Donald Trump. A novidade na agenda até então confirmada é um encontro com o senador americano Bernie Sanders, marcado para o fim da tarde desta segunda-feira, 21.
O encontro aproxima o petista de uma das principais lideranças da esquerda americana. Sanders é, há anos, um dos aliados mais constantes de Lula nos Estados Unidos, e a reunião reforça a interlocução do presidente com o campo progressista global, num momento de tensão entre Brasília e Washington.
Sanders não é o único adversário de Trump na curta agenda do brasileiro. O outro compromisso confirmado até agora é com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, que também se opõe ao republicano.
A relação não nasceu agora. Em 2018 e 2019, com Lula preso em Curitiba, Sanders esteve entre os parlamentares americanos que assinaram cartas pela sua libertação, no movimento que ficou conhecido como "Free Lula".
O senador chegou a entregar pessoalmente um desses documentos em uma representação diplomática brasileira. E às vésperas da eleição de 2022, Sanders voltou a se mobilizar.
Apoiou, ao lado do senador Tim Kaine, uma resolução no Congresso em defesa da democracia brasileira, num momento em que crescia o temor de que o resultado das urnas não fosse respeitado.
Já em 2023, pouco depois da posse, recebeu Lula ao lado de outros progressistas americanos, antes da primeira visita do presidente à Casa Branca.
À época, análises na imprensa americana sustentaram que a pressão de setores dos Estados Unidos, de Sanders ao governo de Joe Biden, ajudou a blindar a transição de poder no Brasil.
Nos últimos meses, parlamentares democratas saíram em defesa do Brasil. Em dezembro de 2025, um grupo de 50 deputados, incluindo nomes como Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar e Rashida Tlaib, enviou uma carta ao presidente americano criticando o uso de tarifas como instrumento de pressão sobre a democracia e a Justiça brasileiras.
Sanders não assinou aquela carta, mas seu histórico o alinha ao campo que mais tem reagido, nos Estados Unidos, às medidas de Trump contra o Brasil.
O encontro desta segunda ocorre justamente enquanto Lula prepara o discurso de abertura da Assembleia Geral, em que deve defender a soberania nacional e criticar, sem citar nomes, a interferência em eleições de outros países.