Redatora
Publicado em 9 de junho de 2026 às 13h02.
Última atualização em 9 de junho de 2026 às 13h04.
Taiwan avalia criar regras mais restritivas para a exportação de semicondutores à China, em uma tentativa de alinhar sua legislação às medidas adotadas pelos Estados Unidos desde 2022. A discussão ocorre em meio à pressão americana para limitar o acesso chinês a chips avançados, insumo central para inteligência artificial, data centers e sistemas militares.
Hoje, o envio desses componentes à China depende de autorização dos Estados Unidos. Autoridades taiwanesas alertam fornecedores de que as exportações estão proibidas pela regulação americana, mas há uma diferença relevante na legislação local.
Em Taiwan, exportações não autorizadas de semicondutores para território chinês não são tratadas como crime, o que limita a atuação das autoridades a eventuais acusações de contrabando. A nova regra, se avançar, criaria instrumentos legais mais amplos para controlar o envio de chips a clientes chineses, e não apenas a algumas empresas já bloqueadas.
Ainda não está definido até que ponto Taiwan adotará as políticas americanas. Segundo o texto em discussão, autoridades ainda precisam revisar detalhes antes de qualquer mudança formal, o que deixa em aberto o alcance das novas restrições.
A eventual medida também traz risco de reação de Pequim, que considera Taiwan parte de seu território. No ano passado, quando a ilha incluiu a Huawei, gigante chinesa de telecomunicações, entre as empresas bloqueadas para semicondutores, autoridades chinesas afirmaram que se integrar e “ajoelhar” aos Estados Unidos seria prejudicial aos interesses taiwaneses.
Taiwan ocupa posição estratégica na cadeia global de semicondutores por abrigar a TSMC, sigla para Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, principal fabricante terceirizada de chips do mundo. A empresa fornece componentes para companhias americanas como Nvidia, desenvolvedora de processadores usados em inteligência artificial, e Apple, fabricante do iPhone.
A TSMC registrou receita recorde de 1,13 trilhão de dólares taiwaneses no primeiro trimestre deste ano, impulsionada pelo boom de IA, a inteligência artificial. O desempenho reforça a importância econômica da empresa em um momento em que Washington tenta reduzir sua dependência de cadeias produtivas concentradas na Ásia.
Além de pressionar Taiwan a limitar o acesso chinês aos semicondutores, os Estados Unidos também tentam convencer a ilha a transferir parte relevante de sua produção para o território americano. O secretário de Comércio, Howard Lutnick, afirmou em entrevista à NewsNation no fim de 2025 que Washington quer que Taiwan instale 50% de suas fábricas nos EUA.
O objetivo declarado dos Estados Unidos é reduzir a dependência tecnológica e diminuir os riscos de uma eventual crise envolvendo a China. Para Taiwan, porém, o movimento envolve um equilíbrio delicado entre manter sua relevância industrial, preservar a relação com Washington e evitar uma escalada de tensão com Pequim.