Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 22 de julho de 2026 às 11h00.
Última atualização em 22 de julho de 2026 às 11h09.
O Figma anunciou nesta terça-feira, 21, a expansão de sua operação no Brasil, com um novo escritório em São Paulo e a oferta de hospedagem local de dados para clientes empresariais. Segundo a companhia, o país ficou entre seus cinco maiores mercados em número de usuários ativos semanais no primeiro trimestre de 2026.
A empresa afirma que a ampliação da estrutura acompanha o crescimento do uso da plataforma por equipes brasileiras de tecnologia, produto e design, área responsável pela concepção visual e funcional de produtos. No período, metade das companhias listadas no Ibovespa utilizava o Figma no desenvolvimento de produtos, ante 35% no segundo trimestre de 2025.
Quase 14 milhões de arquivos foram criados por usuários no Brasil nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, de acordo com dados fornecidos pela empresa. Entre os clientes citados estão iFood, Itaú Unibanco, Mercado Livre, Nubank, Sicredi e BTG Pactual.
Débora Mioranzza, do Figma: à frente da expansão latino-americana
“O Brasil tem uma das comunidades de design e tecnologia mais dinâmicas do mundo”, afirmou Débora Mioranzza, diretora do Figma para a América Latina. Segundo ela, o reforço da presença em São Paulo e a hospedagem de dados no país fazem parte do compromisso da empresa com clientes e profissionais brasileiros.
O capítulo paulistano do Friends of Figma, comunidade de criadores administrada por usuários da plataforma, reunia quase 2.000 membros ativos no primeiro trimestre de 2026. A companhia afirma que o grupo está entre os mais ativos de sua rede global.
A nova opção de armazenamento será oferecida a clientes do plano Enterprise, modalidade corporativa voltada a grandes organizações. Esses clientes poderão escolher manter no Brasil os dados dos arquivos criados no Figma.
A hospedagem local será opcional e não abrangerá automaticamente todos os usuários brasileiros da plataforma. Na prática, a medida amplia o controle de empresas sobre a localização geográfica de seus dados, uma demanda comum em setores regulados e em organizações com políticas internas de segurança e privacidade.
A alternativa brasileira se soma às estruturas de hospedagem já oferecidas pelo Figma na União Europeia, Austrália e Índia. A empresa não informou, no material divulgado, qual infraestrutura será usada no país nem apresentou detalhes sobre fornecedores, prazos de migração ou preços.
O anúncio foi acompanhado da edição de 2026 do relatório anual de inteligência artificial do Figma. Pela primeira vez, o levantamento incluiu o Brasil entre os dez mercados analisados.
A pesquisa global reuniu 8.403 respostas e 639 entrevistas qualitativas com profissionais de design, desenvolvimento de programas e gestão de produtos. No recorte brasileiro, foram considerados 636 participantes.
Entre os participantes brasileiros, 60% disseram que a inteligência artificial está melhorando a colaboração entre diferentes áreas —11 pontos percentuais acima dos Estados Unidos e 16 pontos acima do Reino Unido.Os resultados refletem as respostas dos participantes do estudo e não representam, necessariamente, todo o mercado brasileiro de tecnologia. O material divulgado pela empresa não detalha a margem de erro nem os critérios de seleção da amostra.