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Gastos globais com armas nucleares sobem 19% e chegam ao maior nível da história

Relatório da Ican aponta que as nove potências nucleares ampliaram investimentos em meio ao aumento das tensões globais

Armas nucleares: gastos das potências atômicas alcançaram US$ 118,8 bilhões em 2025, segundo a Ican. (Dennis Swanson - Studio 101 West Photography/Getty Images)

Armas nucleares: gastos das potências atômicas alcançaram US$ 118,8 bilhões em 2025, segundo a Ican. (Dennis Swanson - Studio 101 West Photography/Getty Images)

Publicado em 9 de junho de 2026 às 07h52.

As nove potências nucleares reconhecidas ampliaram seus gastos com armamentos atômicos para um nível recorde de US$ 118,8 bilhões em 2025, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pela Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (Ican).

O valor representa um aumento de 19% em relação ao ano anterior, equivalente a US$ 16,8 bilhões adicionais.

De acordo com a organização, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2017, o avanço dos investimentos ocorre em um momento de crescente tensão geopolítica e de aumento das preocupações com o risco de uso de armas nucleares pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria.

"O risco de utilização de armas nucleares em um conflito é amplamente reconhecido como o mais elevado em décadas", destacou o relatório.

EUA lideram gastos e superam soma das demais potências

Os Estados Unidos permaneceram como o país que mais investe em seu arsenal nuclear. Segundo a Ican, Washington destinou US$ 69,2 bilhões ao setor em 2025, valor superior à soma dos gastos das outras oito potências nucleares.

O montante também representou a maior alta entre os países analisados, com avanço de 22% em relação ao ano anterior.

A organização destacou que esse valor seria suficiente para financiar o orçamento atual da ONU por cerca de 19 anos.

Gastos com armas nucleares em 2025

  1. Estados Unidos — US$ 69,2 bilhões
  2. China — US$ 13,5 bilhões
  3. Reino Unido — US$ 12,6 bilhões
  4. Rússia — US$ 9,5 bilhões
  5. França — US$ 7,7 bilhões
  6. Índia — US$ 2,8 bilhões
  7. Paquistão — US$ 1,5 bilhão
  8. Israel — US$ 1,2 bilhão
  9. Coreia do Norte — US$ 656 milhões

Além dos EUA, os maiores aumentos percentuais foram registrados por Paquistão (18%) e Reino Unido (17%).

Modernização dos arsenais preocupa organização

Segundo a Ican, não há sinais de desaceleração dos investimentos. Países como Estados Unidos, França e Reino Unido mantêm programas de modernização nuclear com cronogramas que se estendem por décadas.

Para a coalizão, esses projetos indicam que as potências pretendem preservar e ampliar suas capacidades nucleares no longo prazo.

"Os nove Estados planejam manter e modernizar suas forças nucleares durante décadas, desviando bilhões de dólares das necessidades reais da humanidade", afirmou Alicia Sanders-Zakre, responsável pela área de políticas da organização e coautora do estudo.

Empresas privadas faturam bilhões com contratos nucleares

O relatório também aponta que empresas privadas receberam pelo menos US$ 38 bilhões em contratos ligados ao setor nuclear militar.

Entre as companhias mais beneficiadas aparecem:

  • Honeywell — US$ 5,27 bilhões
  • Lockheed Martin — US$ 4,5 bilhões
  • Fluor — US$ 3,84 bilhões
  • Northrop Grumman — US$ 3,17 bilhões

Segundo a Ican, os recursos destinados aos arsenais nucleares poderiam ser direcionados para áreas sociais. A organização estima que o gasto diário das potências com armas atômicas seria suficiente para retirar cerca de 2 milhões de pessoas da insegurança alimentar.

*Com EFE

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