Colaboradora
Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 14h23.
As remessas de smartphones na China fecharam o ano de 2025 com queda de 0,6%, segundo dados preliminares do Market Monitor Tracker, da Counterpoint Research. O desempenho negativo foi atribuído principalmente à demanda mais fraca, devido ao aumento dos preços decorrente da escassez global de memória.
Com exceção do 1º trimestre, quando subsídios do governo ajudaram temporariamente o mercado, os demais trimestres de 2025 registraram contrações anuais. No levantamento mais recente, consta que os envios caíram 1,6% no 4º trimestre, em comparação ao mesmo período do ano anterior.
O cenário levou fabricantes a reduzir a produção de algumas linhas de baixo custo, para proteger as margens de lucro em meio ao aumento dos preços.
A Apple liderou o mercado chinês de smartphones no 4º trimestre de 2025, com 22% de participação, alavancada pelo crescimento de 28% nas remessas em base anual.
O resultado refletiu o sucesso do iPhone 17 e a aceleração da produção. Os modelos Pro tiveram boa resposta do mercado, enquanto a versão Air, lançada com atraso, ficou com participação de mercado em um dígito.
Segundo Ivan Lam, analista sênior da Counterpoint Research, o início mais lento do iPhone Air decorreu do lançamento tardio e de concessões entre espessura e recursos. Ele destacou, no entanto, que o modelo é relevante por explorar o design ultrafino e pelas implicações estruturais de longo prazo para o mercado doméstico, especialmente com o uso de eSIM.
A OPPO ficou em segundo lugar no 4º trimestre, com crescimento de 15% em relação ao ano anterior. O desempenho foi sustentado pela demanda da série Reno e pela chegada dos modelos Find X9 e da série OnePlus 15.
No acumulado de 2025, a Huawei liderou o mercado chinês, beneficiada pelo desempenho no primeiro semestre. Os modelos intermediários e premium tiveram boa aceitação após ajustes de preços e apoio do governo. O lançamento tardio da série Mate 80, porém, prejudicou o quarto trimestre. A Counterpoint, porém, aponta sinais de recuperação no início de 2026.
Para 2026, o relatório do Memory Tracker indica que os preços de memória devem subir entre 40% e 50% no primeiro trimestre de 2026, com novo aumento de cerca de 20% no segundo trimestre.
A expectativa é que os fabricantes continuem a otimizar seus portfólios e diminuam a oferta de modelos de baixo custo. Embora a nova rodada de subsídios do governo alivie parcialmente a pressão sobre os custos, a Counterpoint Research avalia que a tendência de queda do mercado pode se intensificar ao longo do ano.