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LG desiste de vender notebooks no Brasil após anos de impasse no mercado

Marca sul-coreana confirma saída de um mercado que movimentou 1,15 milhão de unidades no trimestre, mas mantém a venda de laptops nos Estados Unidos e em outros países

LG: empresa anunciou que não venderá mais notebooks no Brasil (LG/Divulgação)

LG: empresa anunciou que não venderá mais notebooks no Brasil (LG/Divulgação)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 14 de julho de 2026 às 09h55.

A LG Brasil anunciou na segunda-feira, 13, que deixará de vender laptops no país para focar em eletrodomésticos. Em nota enviada à EXAME, a LG afirmou que "a decisão está alinhada à estratégia local da companhia" e que seguirá focada em "categorias nas quais mantém uma operação sólida, competitiva e de alta relevância para o consumidor brasileiro".

A confirmação encerra um impasse que já durava dois anos. Em julho de 2024, a fabricante sul-coreana havia paralisado as vendas de laptops no Brasil, dizendo que buscava formas de viabilizar a linha LG Gram — seus notebooks premium, ultrafinos e leves.

O plano era reposicionar a marca no segmento mais sofisticado e caro. Passados dois anos, a companhia decidiu abandonar a categoria de vez. A informação foi publicada primeiro pelo site Tecnoblog.

O que travou a linha Gram no Brasil

Na época da pausa, em 2024, a LG afirmou que interromperia a fabricação em Manaus para buscar novos fornecedores de componentes — como SSDs, placas de vídeo, circuitos e fontes de energia — e assim tornar o Gram competitivo diante de rivais como o Galaxy Book, da Samsung, o ZenBook, da Asus, e o XPS, da Dell.

A retomada, prometida para 2025, nunca veio.

A empresa não detalhou o que inviabilizou a linha, mas o cenário é de um mercado de margens apertadas e forte concorrência de marcas especializadas.

A LG chegou a vender no país modelos com preço competitivo, na faixa dos R$ 2.800, mas nunca figurou entre as líderes do segmento.

Como está o mercado de notebooks no Brasil

A saída da LG acontece em um mercado grande, porém maduro.

Segundo a consultoria IDC, o Brasil movimentou 1,15 milhão de unidades de notebooks apenas no primeiro trimestre de 2026 — um setor estagnado, mas sem queda estrutural, marcado por uma sazonalidade clara: vendas mais fortes no fim do ano, por causa da Black Friday e do Natal, e mais fracas no começo.

Os primeiros três meses de 2026, no entanto, ficaram fora da curva, com queda de 23% ante o trimestre anterior.

A retração é atribuída aos preços elevados e à escassez de chips de memória RAM, um fenômeno que vem encarecendo dispositivos no mundo todo. Hoje, as marcas mais relevantes do país são Acer, Lenovo e Asus — enquanto Apple e Samsung não integram o top 3.

A decisão vale só para o Brasil

A retirada é uma medida restrita ao mercado brasileiro. Enquanto a categoria de notebooks foi removida da navegação do site oficial da LG no Brasil, a seção segue ativa no site americano da empresa, o que indica que a linha Gram continua à venda nos Estados Unidos e em outros países.

A situação, aliás, se inverte conforme o mercado.

Em Portugal, por exemplo, a LG mantém sua linha de notebooks ativa, enquanto a Samsung — sua conterrânea e principal rival — não lança laptops no país há anos. No Brasil, acontece o oposto.

O que muda para quem já tem um notebook LG

Para os consumidores que já compraram laptops da marca, a LG não anunciou mudanças no suporte ou na garantia.

Quando pausou as vendas, em 2024, a empresa havia prometido honrar a garantia de todos os modelos vendidos, e a expectativa é que a assistência técnica continue funcionando.

O fim das vendas, porém, sinaliza menor investimento em atualizações e novos aparelhos.

Com a saída, a LG reforça o foco nas categorias em que é mais forte no país, como as TVs OLED, os monitores e os projetores — deixando o mercado brasileiro de notebooks ainda mais concentrado nas mãos das marcas especializadas.

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