Patrocinado por:
Como a inteligência artificial elevou o lucro da Samsung a níveis inéditos (AFP/Divulgação)
Jornalista
Publicado em 7 de julho de 2026 às 11h29.
A Samsung anunciou, em julho de 2026, um salto histórico no lucro operacional do segundo trimestre: cerca de US$ 58,4 bilhões, um aumento de aproximadamente 19 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, quando o resultado foi de 4,7 trilhões de wons. Segundo executivos da própria companhia, o lucro acumulado em 2026 pode superar tudo o que a empresa arrecadou em cerca de 40 anos de operação no setor de semicondutores.
O motor desse crescimento não são os smartphones, mas os chips de memória usados em data centers voltados para inteligência artificial. Empresas de tecnologia como Nvidia, Google, AMD e Apple compram grandes volumes de memória para equipar seus servidores de IA, e a Samsung está entre as principais fornecedoras desse tipo de componente.
Um dos produtos centrais nesse cenário é a HBM (High Bandwidth Memory, ou "memória de alta largura de banda"), um tipo de chip que transfere dados de forma muito mais rápida que a memória convencional. Ela é essencial para o funcionamento de processadores usados no treinamento de modelos de IA, já que redes neurais maiores exigem mais capacidade de memória para operar com eficiência.
Diante da alta demanda, fabricantes como Samsung, Micron e SK Hynix passaram a priorizar a produção de chips para servidores, reduzindo a oferta destinada a eletrônicos de consumo. Segundo dados do Citi Research, os preços de memórias DRAM e NAND subiram 44% e 53%, respectivamente, no segundo trimestre de 2026 em comparação ao anterior.
O efeito já chega ao consumidor final: fabricantes como Apple reajustaram preços de notebooks e tablets, citando a escassez de memória como um desafio sem precedentes. A tendência é que essa pressão sobre os preços de smartphones, computadores e outros dispositivos continue enquanto a demanda por infraestrutura de IA seguir em expansão.
Analistas ouvidos pela Reuters apontam incertezas sobre a sustentabilidade desse ciclo. Segundo o JPMorgan, maior banco dos Estados Unidos e uma das instituições financeiras mais influentes do mundo, o crescimento dos investimentos em infraestrutura de IA ainda precisa comprovar que é sustentável a longo prazo — uma eventual desaceleração nos gastos de grandes empresas de tecnologia poderia reduzir a demanda por memória e afetar diretamente os resultados de fabricantes como a Samsung.
O caso da Samsung ilustra como a infraestrutura por trás da inteligência artificial tem se tornado um dos principais motores econômicos do setor de tecnologia. Empresas capazes de fornecer componentes essenciais para data centers de IA, como memória e capacidade de processamento, passaram a ocupar posição central nessa cadeia, com impacto direto sobre preços, investimentos e estratégias corporativas em todo o mundo.