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Chatbots: IA cresceu mais que a internet e os celulares
Repórter
Publicado em 8 de julho de 2026 às 05h02.
A receita da inteligência artificial (IA) generativa cresce três vezes mais rápido do que qualquer onda tecnológica anterior, segundo o relatório The State of the AI Economy, da consultoria britânica Exponential View.
A comparação alinha, ano a ano desde o lançamento de cada tecnologia, a trajetória de receita da internet (1995), dos aplicativos móveis (2007), da computação em nuvem (2010) e da própria IA generativa (2023).
O ritmo também aparece na velocidade com que o setor soma cada novo bilhão de dólares em receita acumulada. Em 2023, a indústria de IA precisava de 180 dias para adicionar US$ 1 bilhão.
Hoje, o mesmo montante entra em menos de dois dias — uma aceleração de 90 vezes, segundo os dados do estudo.
A receita trimestral da IA generativa cresceu 35% no trimestre mais recente ante o anterior, ritmo equivalente a 3,2 vezes ao ano.
Segundo o levantamento, a taxa se manteve estável entre diferentes fases de adoção — da era dos chatbots por assinatura, iniciada com o ChatGPT Team e o Claude Enterprise, até a atual "era da codificação agêntica", puxada por ferramentas como Claude Code, Codex e o agente OpenClaw.
A demanda também disparou a produção de semicondutores. O mercado global do setor deve fechar 2026 em US$ 1.511 bilhões, segundo projeção da World Semiconductor Trade Statistics citada no relatório — ante US$ 792 bilhões em 2025 e apenas US$ 100 milhões em 1957.
O poder computacional global também acelerou: a capacidade instalada no mundo cresce a uma taxa anual composta de 80% desde 2016, contra 66% entre 1971 e 2016, impulsionada pelos servidores dedicados a IA. Os maiores data centers do planeta cresceram 50 vezes em quatro anos, segundo o estudo, que cita o Rainier, da Oracle, com capacidade projetada de 2,3 gigawatts.
O apetite por energia também reacendeu um setor elétrico estagnado nos Estados Unidos havia quase duas décadas. Depois de 16 anos sem crescimento relevante na geração de eletricidade do país, o ritmo voltou a subir a partir de 2024, puxado por data centers de IA, segundo dados da US Energy Information Administration reproduzidos no relatório.
A escalada de demanda também aparece na carteira de pedidos das big techs: o backlog combinado de Microsoft, Amazon, Oracle e Google somava US$ 2 trilhões no trimestre mais recente, ante cerca de US$ 200 bilhões em 2021 — patamar atingido pouco antes do lançamento do ChatGPT.