Ambev é vencedora da categoria de Alimentos e bebidas do Melhores do ESG 2026 (Catarina Bessell/Exame)
Publicado em 27 de maio de 2026 às 06h00.
Noventa por cento das emissões da Ambev, que atualmente se posiciona como empresa de tecnologia e de plataformas de marcas, não saem de suas fábricas: estão espalhadas pela cadeia de fornecedores, agricultores e distribuidores. É por isso que a estratégia ESG da companhia tem como frente prioritária transformar quem produz para ela.
A atuação começa por formações com foco na agricultura sustentável e no desenvolvimento econômico local. Em 2025, a empresa atingiu 100% dos fazendeiros parceiros capacitados e financeiramente empoderados.
A agenda climática também entra no escopo das operações indiretas. Com o programa Eclipse, criado em 2022, a fabricante de bebidas trabalha a descarbonização da cadeia de suprimentos e o fortalecimento de práticas regenerativas no agro. Isso inclui suporte técnico sobre energias renováveis, eficiência hídrica e economia circular. A criação de conexões entre empresas parceiras também é estimulada, com o objetivo de favorecer o engajamento climático e a colaboração entre os negócios.
Da produção, o cuidado se estende às embalagens. Em 2025, 70,5% delas já eram retornáveis ou feitas com conteúdo majoritariamente reciclado. Para sustentar essa cadeia no longo prazo, a companhia anunciou o investimento de 1 bilhão de reais na construção de uma nova fábrica de vidros em Carambeí (PR), fortalecendo a eficiência logística e ampliando a capacidade de produção própria.
A redução do impacto das próprias operações também entra nas prioridades: 97,5% da energia elétrica comprada pela Ambev deriva de fontes renováveis, e a intensidade de emissões de gases de efeito estufa nos escopos 1, 2 e 3 caiu 25%.
Outra preocupação é com a gestão da água. Por meio do programa Bacias & Florestas, que nasceu há mais de 15 anos em Jaguariúna, interior de São Paulo, e se expandiu para 11 bacias hidrográficas, a companhia combina recuperação hídrica, plantio de espécies nativas e restauração de áreas degradadas. Ao longo dessa trajetória, foram plantados 3 milhões de árvores e restaurados mais de 15.000 hectares.
O resultado mais concreto: 100% das comunidades em áreas de alto estresse hídrico registraram melhoria mensurável na qualidade e na quantidade de água disponível. O programa está sendo ampliado em 2026, com foco em aumentar o alcance das iniciativas, hoje concentradas nas regiões ao redor das unidades da empresa.
Na frente social, o VOA conecta voluntários da Ambev a organizações sociais em todo o Brasil por meio de mentorias em gestão, planejamento, pessoas e sustentabilidade. O Bora Hub, plataforma de cooperação, reúne mais de 100 organizações no incentivo à formação e geração de renda, alcançando 5 milhões de pessoas. “Os investimentos em sustentabilidade foram direcionados a iniciativas com potencial de gerar impacto positivo de longo prazo para o negócio e para as comunidades”, explica Felipe Baruque, vice-presidente de Suprimentos e Sustentabilidade da companhia.
Para 2026, a Ambev aposta na inovação como caminho para ampliar o impacto socioambiental. O programa 100+ Labs Brasil chega à sua sétima edição acelerando startups com soluções voltadas para desafios socioambientais — nas seis edições anteriores, mais de 100 empresas foram apoiadas.
DESTAQUES DO SETOR
Em 2025, a fabricante de alimentos M. Dias Branco deu um passo além da retórica da sustentabilidade, quando todas as áreas internas passaram a adotar metas ESG, tornando a agenda parte do funcionamento cotidiano da empresa, não apenas de uma diretoria específica. “Hoje, afirmamos com convicção que a sustentabilidade não faz parte do negócio: ela é o próprio negócio”, afirma Tiago Cid Timbó, gerente-executivo de Comunicação e Sustentabilidade da fabricante de alimentos. Os investimentos seguem três eixos: eficiência operacional, transição energética e gestão de resíduos.
Neste último, a empresa tem uma meta concreta — zerar o envio de resíduos para aterros sanitários até 2030. Já são 11 unidades produtivas com status de aterro zero, resultado de avanços em reciclagem, beneficiamento de resíduos e parcerias com empresas especializadas. No campo social, a companhia se comprometeu a capacitar 150.000 pessoas até 203 em programas de empreendedorismo e empregabilidade no setor alimentício. Cerca de 55.000 já passaram pelas iniciativas.
A demanda por alimentos mais saudáveis e cadeias menos intensivas em carbono bateu à porta da Danone. Em 2025, a fabricante de produtos lácteos avançou em duas frentes: a reformulação nutricional de seus produtos e a redução do impacto ambiental da cadeia produtiva. No portfólio infantil, 98,5% dos lácteos e vegetais passaram a atender ao limite de até 10 gramas de açúcar por 100 gramas de produto; entre eles, uma nova fórmula do Danoninho, que se tornou o petit suisse com menor teor de açúcar do mercado nacional.
Para o ciclo 2026/2030, a companhia pretende estender esse critério a todos os lácteos e vegetais de consumo diário para adultos. “A segunda fase da nossa Jornada de Impacto reforça a convicção de que saúde e sustentabilidade são caminhos de crescimento de longo prazo”, afirma Mário Rezende, VP de Operações e Sustentabilidade da empresa.
No campo ambiental, a Danone investiu 1,5 milhão de euros na Jornada Flora, iniciativa de agricultura regenerativa com fazendas leiteiras brasileiras que resultou em redução de 47% das emissões de CO2 na cadeia de leite fresco.