Javier Milei: líder da Argentina defendeu seu chefe de gabinete em meio a escândalo de corrupção (Tomas Cuesta/Getty Images)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 27 de maio de 2026 às 06h00.
A inflação sobe, a popularidade cai. Essa regra, quase global na política, é ainda mais forte na Argentina. Em um país marcado por hiperinflações, ver o indicador voltar a subir gera temores. Em março, a taxa mensal ficou em 3,4%, o dobro do mesmo período do ano anterior. Coincidência ou não, a aprovação de Milei caiu para 38%.
“A queda é mais acentuada na Grande Buenos Aires, onde se concentra a indústria e o consumo, pois é onde vive a maior parte da população. Há melhor situação em outras províncias”, diz o cientista político Juan Carranza, da consultoria Aurora Macro Strategies.
A economia argentina vive uma transição, que beneficia alguns setores e desafia outros. O governo mantém o peso valorizado em relação ao dólar, o que barateia importações, mas complica a indústria e o varejo local. Assim, a atividade econômica caiu 2,1% em fevereiro, na comparação anual, em meio a um aumento do desemprego, que fechou 2025 em 7,5%. No último verão, Milei aprovou uma reforma trabalhista que reduziu direitos, depois de ter uma vitória ampla nas eleições de meio de mandato, em outubro.
Apesar da temporada difícil, Milei poderá ter boas notícias nos próximos meses. “As forças do céu parecem estar apoiando Milei. O clima está ajudando a agricultura e o setor energético. Devemos ter um inverno menos rigoroso, e a Argentina precisará importar menos gás”, aponta Carranza.
Ao mesmo tempo, a alta global do petróleo deve aumentar a arrecadação com royalties, especialmente das províncias, e ajudar a atrair divisas. O Fundo Monetário Internacional segue elogiando a Argentina e liberou mais 1 bilhão de dólares em abril. Assim, há boas chances de que o inverno seja agradável na Casa Rosada.