Carla Hoffmann, gestora executiva do Parque de Bioeconomia pela Fundação Certi: laboratório busca dar escala aos negócios da floresta (Certi/Divulgação)
Repórter
Publicado em 25 de junho de 2026 às 06h00.
Última atualização em 25 de junho de 2026 às 11h00.
Se antes faltava um espaço que reunisse os negócios da floresta, Belém agora tem um endereço para essa nova economia. Durante décadas, os antigos armazéns portuários da região do Reduto, às margens da Baía do Guajará, foram um retrato do abandono no centro histórico de Belém.
Onde hoje circulam pesquisadores, startups, empreendedores e visitantes interessados na nova economia da floresta, antes havia galpões vazios, estruturas deterioradas e até um depósito de carros antigos.
O cenário mudou. Revitalizado como uma das principais obras preparatórias para a COP30, o Complexo Porto Futuro II se tornou uma vitrine da aposta do Pará em transformar biodiversidade em negócios, inovação e desenvolvimento econômico.
O espaço abriga hoje o Parque de Bio-economia e Inovação da Amazônia, um hub criado para conectar startups, pesquisadores, cooperativas e empresas ligadas à floresta. O projeto ocupa 50.000 metros quadrados em antigos galpões da Companhia Docas do Pará, inaugurados em 1909, no auge do ciclo da borracha.
A revitalização consumiu cerca de 568 milhões de reais e preservou parte da estrutura histórica, incluindo guindastes e elementos metálicos originais. O complexo passou a reunir museu, espaços culturais, gastronomia e o centro dedicado à bioeconomia. Nos armazéns 5 e 6 está o núcleo do projeto: um centro de negócios com coworking, incubação e programas de aceleração, além de um laboratório-fábrica voltado a testes industriais nos setores de alimentos, bebidas, cosméticos e bioinsumos.
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Alguns dos equipamentos instalados no laboratório estão entre os mais avançados do país, diz Carla Hoffmann, gestora executiva do Parque de Bioeconomia pela Fundação Certi. A estrutura permite que negócios amazônicos testem produtos, desenvolvam formulações e criem padrões industriais.
Nos primeiros seis meses de operação, o parque recebeu mais de 13.000 visitantes, realizou cerca de 16 eventos ligados a inovação e sustentabilidade e recebeu mais de 100 empreendedores entre startups e negócios comunitários. Outras 40 startups participaram de testes industriais no laboratório-fábrica.
A aposta é transformar uma economia historicamente baseada no extrativismo em uma cadeia com maior valor agregado, capaz de levar produtos amazônicos a novos mercados. “O desafio é fazer com que o valor agregado fique na Amazônia”, afirmou Carla.
O Porto Futuro II passou a integrar um novo corredor cultural e turístico de Belém, que conecta memória, inovação e uma economia baseada na floresta.