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COP30 antecipará em 30 anos obras de infraestrutura em Belém, diz Hélder

Capital paraense trouxe o tema das florestas para o centro das discussões sobre mudança climática, diz governador em entrevista à EXAME

Hélder Barbalho, governador do Pará: COP30 trará legado estruturante para Belém (Eduardo Frazão/Exame)

Hélder Barbalho, governador do Pará: COP30 trará legado estruturante para Belém (Eduardo Frazão/Exame)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 19 de novembro de 2025 às 11h57.

O governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB), acredita que um dos maiores legados que a COP30 deixará para o estado — e especialmente para Belém — são os investimentos realizados para receber a conferência do clima.

Segundo Barbalho, trazer a COP30 para Belém reforça a convicção de que governos e iniciativa privada precisam agir para que as respostas necessárias à urgência climática sejam dadas.

“Belém certamente vive um novo tempo. A cidade recebe um conjunto de investimentos antecipados que permitirá avançar 20 até 30 anos em infraestrutura. São obras estruturantes que melhoram a vida da população e promovem transformações importantes”, disse em entrevista à EXAME.

Desde o anúncio de que Belém seria a cidade-sede da conferência climática, pairavam dúvidas sobre a capacidade de a capital paraense receber um evento desse porte, principalmente em razão de seus desafios em infraestrutura. Algo que, para o governador, foi superado.

"Foi uma decisão acertada escolher Belém como sede para a COP30 mesmo sabendo dos desafios de preparar a cidade para um evento desta grandeza", diz.

A capital do Pará tem desafio particular na coleta e tratamento de esgoto. Atualmente, apenas 19,3% da população é atendida por serviços de esgotamento sanitário, enquanto a média brasileira é de 59,7%, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (Snisa), do Ministério das Cidades.

Os recursos destinados a preparar Belém como cidade-sede da COP30 estão estimados em mais de R$ 7 bilhões, provenientes dos governos federal e estadual, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de Itaipu Binacional. Ao todo, foram mais de 30 obras nas áreas de desenvolvimento urbano, mobilidade e saneamento.

Na avaliação do governador, a capital paraense trouxe o tema das florestas para o centro das discussões sobre mudança climática. Para Barbalho, o fato de Belém estar inserida na região amazônica reforça esse papel.

“Temos uma grande oportunidade de colocar a floresta no centro das discussões e construir uma agenda que, baseada na natureza, nos permita desenvolver uma nova economia — em que a floresta em pé possa valer mais do que a floresta derrubada”, afirma.

O governador destacou que a preparação da cidade mobilizou universidades, centros de pesquisa, terceiro setor, povos tradicionais e organizações ambientais para construir um ambiente político e social capaz de pressionar por resultados concretos.

Segundo ele, a COP30 tem o desafio de apontar urgências climáticas com maior compromisso e financiamento por parte dos países desenvolvidos, para que nações em desenvolvimento avancem em modelos de baixa emissão.

O legado da COP

Para Barbalho, a COP30 deve marcar uma virada de chave entre discurso e ação — um dos principais motes repetidos por membros do governo federal. Segundo o governador, a conferência precisa resultar em implementações reais para enfrentar a crise climática.

“Que este legado seja um legado robusto, um legado efetivo de implementações”, afirma.

Questionado sobre o balanço da preparação da cidade para receber a conferência, Barbalho foi categórico: “Balanço extremamente positivo”.

Para ele, trazer o maior evento climático do mundo para a Amazônia — “o maior símbolo de florestas tropicais do mundo” — reforça o sentido da agenda ambiental.

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