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Vale a pena ir na CCXP (mesmo não sendo nerd)?

Apesar de ser conhecida como um evento para geeks, a Comic Con brasileira já cresceu demais para comportar somente um público

CCXP: evento geek é grande demais para comportar somente um público (CCXP/Divulgação)

CCXP: evento geek é grande demais para comportar somente um público (CCXP/Divulgação)

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Laura Pancini

Publicado em 7 de dezembro de 2022, 09h17.

A CCXP é tudo em todo lugar ao mesmo tempo. A Comic Con 2022, que aconteceu no último fim de semana em São Paulo, muito se assemelha ao filme de ficção científica de Daniel Kwan, que mostra as incontáveis vidas da personagem Evelyn Wang (Michelle Yeoh) em realidades paralelas.

O evento geek, que sozinho toma 115 mil m² da São Paulo Expo, é um verdadeiro multiverso da loucura: franquias de filmes e quadrinhos; serviços de streaming; canais de TV aberta; food trucks; quadrinistas; lojas e muitas – mas muitas mesmo – filas. 

Apesar de ser conhecida como o espaço dos nerds, a Comic Con brasileira já cresceu demais para comportar somente um público. Somente em 2019, quase 300 mil visitantes passaram pelo pavilhão ao longo de quatro dias de evento (os dados de 2022 ainda não foram divulgados). É quase o dobro do que as versões americanas conseguem. 

Estande da Prime Video na CCXP22 (Diego Padilha/Reprodução)

É fato: a CCXP não é mais só para os geeks. Eles não foram embora, mas hoje dividem espaço com milhares de pessoas que vão para visitar o estande das séries da Netflix – ou só passear mesmo. Mas, vale a pena comprar ingresso para o próximo ano e passar um fim de semana nesse universo (não mais tão) nerd? 

Mistura entre shopping, convenção e parque de diversões, a CCXP é definitivamente feita para São Paulo. Primeiramente, os preços seguem o padrão de qualquer evento paulistano: são salgados. Fosse food truck ou Outback, os combos de lanches vendidos eram, em sua maioria, entre R$ 40 (sem refrigerante, com batata chips) e R$ 60 (refrigerante e batata frita).

As lojas de produtos geek também não fogem dos altos valores. Simples canecas podem valer entre R$ 40 e R$ 120, dependendo do tamanho e lugar. O barulho andando entre os estandes é incessante – quase todos têm alguém com um microfone em mãos, o que torna quase impossível escutar qualquer um – e os corredores, eternos. 

Podem demorar dias para que você chegue ao final do pavilhão e mesmo assim não terá visto de tudo. Alguém vai passar com uma sacola de uma loja que você ainda não viu ou mencionar um estande impossível de encontrar. Não fique estressado, mas maravilhado: é parte da magia da Comic Con.

CCXP: quase 300 mil visitantes foram ao evento de 2019 (Diego Padilha/ CCXP/Divulgação)

As possibilidades de entretenimento são infinitas. São painéis com novidades sobre grandes filmes e séries; finais de competição de games; encontros com influencers e jogos e experiências imersivas nos estandes. No meio do caminho entre um e outro, é fácil se distrair com uma loja ou ter alguma troca com um cosplayer ou algum quadrinista do Artists’ Valley, onde ficam escondidos os produtos mais acessíveis de todo o evento.

É garantia de que ninguém vai se sentir como um “outsider” na CCXP. Qualquer visitante vai ao menos conhecer uma pessoa ou marca envolvida no evento – Mauricio de Sousa está por lá todos os anos e um dos maiores estandes era o da SBT – e a diversão acaba sendo inevitável.

Em alguns momentos andando pelo pavilhão, é até fácil esquecer que a espinha dorsal do evento já foi fãs de franquias como Star Wars e Harry Potter. Mas não levam tantos passos até que alguém passe pelo seu lado com a máscara do Darth Vader no rosto e uma sacola da Pernambucanas nas mãos, lembrando quem são aqueles que fazem da CCXP o multiverso da loucura que ela realmente é. 

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