Eric Kripke, criador de "The Boys", afirmou que Donald Trump “estragou” uma das piadas planejadas para a temporada final da série ao publicar uma imagem de si mesmo retratado como uma figura messiânica. Em entrevista à Polygon, o showrunner disse que a realidade política dos Estados Unidos tem se tornado tão absurda que está cada vez mais difícil satirizá-la na ficção.
Quando a política real supera a sátira
Segundo Kripke, a coincidência aconteceu justamente quando a quinta temporada colocaria Capitão Pátria em um arco no qual o personagem passa a se enxergar como uma figura divina. A ideia era mostrar o vilão ultrapassando um novo limite de delírio e autoritarismo, mas o plano perdeu parte do impacto quando Trump publicou, dias antes, uma imagem em que aparecia como uma espécie de salvador religioso.
“É muito difícil satirizar esse mundo”, resumiu Kripke à Polygon. O criador disse que a equipe vinha discutindo como apresentar ao público a ideia de Capitão Pátria se vendo como um deus sem parecer exagerada demais. Pouco depois, porém, a realidade tratou de encurtar essa distância entre sátira e política real.
A religião como ferramenta de poder
Na trama da temporada final, Capitão Pátria aprofunda sua escalada autoritária e passa a flertar abertamente com a construção de uma nova religião americana moldada à sua imagem, com apoio de figuras religiosas corruptas. Para Kripke, esse tipo de enredo não foi pensado como um ataque à fé em si, mas ao uso político e manipulador da religião como ferramenta de poder. Por isso, ele reforça que "The Boys" não é anti-religião, e sim uma crítica à forma como crenças podem ser instrumentalizadas por líderes autoritários.
A realidade política atrapalhou o roteiro
Essa não é a primeira vez que Kripke vê a realidade atropelar a ficção da série. O criador relembrou que a quarta temporada quase precisou ser alterada por causa da tentativa de assassinato contra Trump em 2024, já que o episódio final trazia uma trama semelhante e precisou até ter seu título modificado pouco antes do lançamento.
Desde sua estreia, "The Boys" construiu sua identidade como uma sátira política sobre celebridade, autoritarismo e manipulação midiática. O problema, segundo Kripke, é que o mundo real tem começado a competir com a série em absurdo.
Série se encaminha para o final