Spotify: Medida busca diferenciar artistas reais de personas sintéticas em meio ao avanço da música produzida com inteligência artificial (Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images)
Freelancer
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 17h49.
A próxima vez que uma descoberta musical no Spotify parecer boa demais para ser verdade, o aplicativo poderá revelar justamente esse detalhe. A plataforma vai começar a identificar perfis de artistas criados por inteligência artificial e reduzir a presença deles em suas recomendações.
A medida foi anunciada pelo Spotify e começa a ser implementada em setembro de 2026.
Os perfis considerados criações de inteligência artificial receberão a identificação "AI Persona". O selo deverá aparecer em áreas como a busca e o perfil do artista, permitindo que o usuário saiba que aquela identidade não representa uma pessoa real.
A empresa afirmou, em um comunicado enviado para a imprensa, que defende a liberdade criativa dos artistas para decidir como se apresentam, mas ressaltou que o Spotify prioriza, em suas recomendações, trabalhos de artistas autênticos que estejam construindo suas carreiras na música.
O Spotify também pretende permitir que os próprios responsáveis pelos perfis informem quando se trata de uma persona criada por IA. A plataforma terá ainda sistemas automatizados e análise humana para identificar casos que não tenham sido declarados.
A empresa já havia criado, em abril, o selo "Verified by Spotify", destinado a indicar perfis de artistas que passaram por uma avaliação de autenticidade. Na ocasião, a companhia afirmou que perfis que aparentassem representar principalmente artistas ou personas gerados por IA não seriam elegíveis à verificação.
A principal consequência da nova classificação estará nos sistemas de descoberta do Spotify. Perfis identificados como "AI Persona" serão retirados das recomendações editoriais e personalizadas da plataforma. Isso significa que suas músicas terão menos espaço em recursos desenvolvidos para apresentar novos artistas aos usuários.
Existe uma exceção para quem já acompanha esses perfis. Usuários que seguirem especificamente um artista identificado como "AI Persona" continuarão recebendo suas músicas.
A mudança atinge diretamente uma das principais formas de consumo de música no streaming: a descoberta feita pelos próprios algoritmos.
Laura Batey, porta-voz do Spotify, explicou ao New York Times que a empresa adotará um processo de análise em duas etapas. Primeiro, os perfis passarão por uma triagem automatizada. Depois, serão avaliados por moderadores humanos da plataforma.
Segundo Batey, a análise dará atenção principalmente aos nomes de usuário e às fotos de perfil. O objetivo é identificar a natureza da identidade por trás do artista, e não determinar se suas músicas foram produzidas com inteligência artificial. O Spotify permite o envio de músicas geradas por IA, desde que o conteúdo respeite as regras da plataforma contra práticas como spam e fraude.
De acordo com a empresa, o selo "AI Persona" também será exibido nas buscas do aplicativo e nas playlists que incluírem músicas desses perfis. Os usuários poderão saber se a classificação foi informada pelo próprio artista ou atribuída pelo Spotify.
Artistas identificados pela plataforma terão a possibilidade de contestar a classificação. Nos próximos meses, o Spotify também pretende permitir que os próprios usuários denunciem perfis que considerem ter sido criados por inteligência artificial. A empresa ainda não divulgou como esse processo de denúncia funcionará.
O Spotify está concentrando a identificação na persona do artista, e não necessariamente na origem de cada música.
Uma faixa pode ter sido produzida com ferramentas de inteligência artificial e continuar associada a um artista humano. Nesse caso, a utilização de IA na criação da música não transforma automaticamente o perfil em uma "AI Persona".
A plataforma já oferece recursos para que artistas indiquem o uso de inteligência artificial em determinadas etapas da produção musical, ampliando as informações disponíveis sobre as faixas.
A decisão acontece em um momento de forte crescimento do volume de músicas produzidas com IA nos serviços de streaming. Em setembro de 2o25, o Spotify anunciou que havia deletado cerca de 75 milhões de músicas feitas por inteligência artificial da plataforma.
Já a Deezer informou em julho deste ano que recebe cerca de 90 mil faixas totalmente geradas por inteligência artificial por dia. O volume atingiu o pico em junho e representou mais de 50% dos novos uploads da plataforma. Apesar da quantidade, as músicas geradas integralmente por IA respondiam por apenas 1% a 3% dos streams da plataforma, segundo o comunicado da empresa.