Moletom da Supply Co. com a frase "Good Research Takes Time" nas costas, referência à carta fundadora da OpenAI (Divulgação)
Jonalista colaborador
Publicado em 27 de julho de 2026 às 15h03.
A OpenAI abriu recentemente ao público a Supply Co., sua loja de roupas e acessórios que antes só chegava a funcionários. Meias de R$ 76, camisetas de R$ 203 e um moletom com zíper de R$ 889 compõem a coleção, ao lado de uma bola de basquete estampada com o logo do ChatGPT, vendida por R$ 356 e esgotada em minutos.
O diretor de design, Ben King, contou ao Wall Street Journal que a bola foi inspirada no Golden State Warriors, time cuja arena fica em frente aos escritórios da empresa em São Francisco, e que Virgil Abloh serviu de referência para a coleção. Os lançamentos, segundo ele, vão acompanhar marcos da companhia, não um calendário de moda.
Bola de basquete da Supply Co. com o logo do ChatGPT, ao lado de meias e loafers usados na campanha da OpenAI (Divulgação)
A OpenAI havia aberto a loja ao público por um período curto em dezembro de 2025, para marcar seus dez anos. Peças que circulavam apenas entre funcionários já tinham valor no mercado paralelo antes disso: um kit completo de brindes chegou a ser vendido por R$ 2.413 no eBay.
Esse padrão de exclusividade artificial, comum ao universo dos tênis de edição limitada, aparece também no site da marca, que mantém um arquivo com os itens descontinuados e suas datas de saída de linha.
Casaco de brim azul da Palantir, com o logo da Ontology Technologies bordado no bolso. A peça esgotou em horas após o lançamento (Divulgação)
A Palantir vendeu seu casaco de brim por R$ 1.214 em abril, e as unidades somem das prateleiras em poucas horas. A empresa também abriu um pop-up em Seul, onde os clientes coreanos se tornaram o segundo maior mercado internacional da marca em produtos licenciados. Shopify e Figma seguiram caminho parecido, transformando o armário interno de funcionários em vitrine pública.
A Anthropic entrou nesse movimento com um pop-up chamado Zero Slop Zone, em Nova York, que teve entre os destaques um boné bordado com a palavra thinking. Nvidia e Apple também aparecem citadas como parte dessa onda de empresas de tecnologia usando roupas premium para reforçar identidade de marca.
Liang Shi, cofundadora do Leroli Studio e responsável por parte da linha de roupas da Shopify, disse à revista Inc. que empresas de software enfrentam um caminho difícil quando tentam vestir seu público. Segundo ela, é preciso ter uma comunidade que ame a marca a ponto de usar a peça sem que pareça propaganda. Ela reforça que essas empresas não entram no mercado de roupas como marcas de moda, e que isso já as coloca em desvantagem.
A recepção da coleção da OpenAI reforça esse ponto. A jornalista de estilo da CNN Rachel Tashjian chamou a coleção de ultrapassada e a comparou a peças da Kith e da Aimé Leon Dore de cinco anos atrás. Nas redes, a marca de roupas para startups PlumSoda questionou a modelagem e o caimento das peças, defendendo que faltou à OpenAI contar com designers de produto especializados em vestuário.
A receita anualizada da OpenAI ultrapassou R$ 127 bilhões em março, segundo a Reuters, o que torna uma camiseta de R$ 203 irrelevante no balanço da empresa. O objetivo declarado é outro: usar a roupa como símbolo de pertencimento a um grupo, o mesmo raciocínio que sustenta o mercado de streetwear há décadas.
Os itens da nova coleção trazem frases retiradas da carta fundadora da OpenAI, como a promessa de uma inteligência artificial geral que beneficie toda a humanidade. Uma camiseta com a frase "a boa pesquisa exige tempo" esgotou em todos os tamanhos, com exceção do menor, horas depois do lançamento.