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Spotify alcança marca que só a Netflix havia atingido no streaming

Spotify alcançou 300 milhões de assinantes, elevou a margem a 33,4% e registrou fluxo de caixa livre recorde

Spotify: empresa atingiu marco que só a Netflix havia atingido (Spencer Platt/Getty Images)

Spotify: empresa atingiu marco que só a Netflix havia atingido (Spencer Platt/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 14h06.

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O Spotify anunciou nesta terça-feira, 4, que atingiu a marca de 300 milhões de assinantes pagos — marca que, até o momento, só a Netflix tinha atingido no mercado de streaming. A alta registrada, segundo a empresa, foi de 9% em comparação com o mesmo período do ano passado e aconteceu em todas as regiões do mundo.

Já a base de usuários ativos mensais cresceu 12%, atingindo 777 milhões globalmente, um pouco abaixo da previsão da empresa.

Os resultados reforçam a estratégia adotada pelo Spotify nos últimos anos de ampliar sua atuação para além do streaming de música. A companhia tem investido em podcasts, audiolivros e ferramentas de inteligência artificial (IA) para aumentar o engajamento e incentivar usuários da versão gratuita a migrarem para os planos pagos.

Os motores de crescimento

Nos últimos meses, o Spotify acelerou o lançamento de recursos baseados em IA, incluindo podcasts personalizados, novos planos para audiolivros e ferramentas de interação como o Talk to Spotify. A empresa também expandiu seu DJ virtual para mais idiomas e passou a oferecer produtos voltados aos chamados "superfãs", como recursos para compra antecipada de ingressos.

A plataforma anunciou ainda que trabalha em uma ferramenta de IA capaz de criar remixes e novas versões de músicas licenciadas, fruto de acordos firmados com empresas do setor fonográfico.

Enquanto o negócio de assinaturas continua avançando, a publicidade permanece como o segmento de menor crescimento.

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A receita com anúncios evoluiu em ritmo bem inferior ao da divisão Premium, e a expectativa da companhia é acelerar esse mercado no segundo semestre com a expansão global de suas ferramentas automatizadas para compra de mídia.

Na estratégia de IA, o Spotify afirma que não pretende competir na corrida pelos grandes modelos de linguagem. Em vez disso, aposta em usar inteligência artificial para compreender melhor os hábitos e preferências dos usuários, aprimorando recomendações e experiências personalizadas sem precisar investir bilhões de dólares em infraestrutura computacional.

O negócio vai continuar funcionando?

No começo deste ano, o supervisor musical, empresário artístico e agente de reservas Joel Gouveia, afirmou que o modelo atual de negócios dos streamings musicais não é sustentável a longo prazo.

Segundo Gouveia, plataformas como o Spotify podem até ter consolidado o acesso à música, mas criaram distorções na dinâmica econômica da indústria. Em uma postagem em seu perfil no Substack, Gouveia argumenta que o sistema atual transformou a música em uma commodity, com serviços praticamente idênticos e sem diferenciação relevante.

"Veja a guerra dos serviços de streaming de vídeo. Netflix, HBO Max e Disney+ estão em uma disputa acirrada. Mas eles têm uma arma distinta: a diferenciação. Se você quer assistir Stranger Things, precisa da Netflix. Se você quer assistir The Last of Us, precisa da HBO. Por outro lado, se olharmos para a música, Spotify, Apple Music, Amazon Music e Tidal oferecem exatamente o mesmo produto: um catálogo com 100 milhões de músicas", disse.

Segundo Gouveia, o modelo financeiro do setor impõe limitações estruturais porque os custos das plataformas crescem na mesma proporção que a receita.

Diferentemente de empresas de tecnologia tradicionais, nas quais o aumento de usuários dilui custos fixos, o streaming de música opera com custos variáveis.

Apesar disso, esse não parece um futuro próximo. O Spotify anunciou que a margem bruta atingiu 33,4% no segundo trimestre, a maior da história da empresa, aproximando-se da meta de longo prazo, entre 35% e 40%. O fluxo de caixa livre chegou a  797 milhões de euros, outro recorde para a plataforma.

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