Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru, vizinhos do Brasil, fazem parte do grupo (Fejaga/Shutterstock)
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Publicado em 30 de setembro de 2026 às 20h36.
Fundado em março deste ano, o Escudo das Américas é uma coalizão que se denomina “em favor da economia, segurança e coordenação multilateral”. Liderado pelos Estados Unidos, o bloco americano possui 14 países membros, incluindo Argentina, Bolívia, Paraguai, Peru e Colômbia, que fazem fronteira com o Brasil.
“Ele foi lançado como um projeto muito vago. Fala em promover parcerias, cooperação de segurança e cooperação militar, mas com ênfase no combate ao narcotráfico. O projeto ainda não é bem concreto, ele ganha forma de acordo com as reuniões e os pronunciamentos do presidente dos EUA, Donald Trump, e do Secretário de Estado, Marco Rubio”, explicou Clarissa Forner, professora de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
Na última terça-feira, 22, todas essas nações concordaram em considerar algumas facções criminosas como grupos terroristas que ameaçam a segurança coletiva no continente. Associado a isso, diversas sanções econômicas também foram anunciadas. Entre as listadas, estão o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
No mesmo dia, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, disse em seu discurso na ONU que utilizará “o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos”.
“O Escudo das Américas se apresenta como mais um mecanismo de pressão norte-americana na América Latina, não apenas para países ou governos específicos, mas para a região como um todo. Não de forma militar, efetivamente, mas no âmbito social”, disse ela, que também é pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT/INEU).
Para Clarissa, essa situação pode influenciar também no contexto eleitoral interno brasileiro, uma vez que fortalece discursos mais politicamente alinhados com Trump.
Doutrina “Donroe”
O presidente norte-americano começou a utilizar o termo “Doutrina Donroe” em meados deste ano para se referir à forma como passaria a agir com suas políticas de fronteira.
A nomenclatura faz referência à Doutrina Monroe, assinada pelo ex-presidente dos EUA James Monroe em 1823. Na época, o texto alegava que o país se responsabilizava por não permitir novas colonizações européias no continente e, com isso, aumentaria a sua presença regional.
Porém, no caso de Trump, ele escolheu “Donroe” por juntar seu nome, Donald, com o sobrenome do histórico presidente, Monroe.
O republicano defende que sua expansão pela política latina se dá como forma de defender a região da influência chinesa, o maior concorrente do mercado norte-americano na atualidade.
“Esse é um redirecionamento do governo Trump para a América Latina de promover essa aproximação principalmente com aliados ideologicamente afins da região. Então é uma iniciativa que vai incluir países como a Argentina e El Salvador que, de certa forma, não são países com posicionamentos homogêneos entre si”, exemplificou a professora.
Até a última atualização desta reportagem, faziam parte do Escudo das Américas: EUA, Argentina, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru.
O Brasil não foi convidado para ser parte do grupo, assim como outros países com líderes considerados de esquerda.