'Industry': HBO estreia a quarta temporada da série enquanto criadores relatam interpretações equivocadas de profissionais do setor financeiro (Divulgação/HBO)
Redatora
Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08h13.
Os criadores da série "Industry", da HBO, afirmam receber muitas mensagens de profissionais do mercado financeiro que não compreendem a proposta da produção. A declaração foi feita em entrevista ao Wall Street Journal no momento em que a quarta temporada chega ao streaming.
Mickey Down e Konrad Kay, responsáveis pela série, disseram que muitos espectadores do setor enxergam o programa como retrato glamorizado do ambiente corporativo, ignorando o arco que expõe a deterioração de seus personagens.
Segundo Down, o enredo necessita inicialmente apresentar um ambiente sedutor para convencer o público a acompanhar a rotina dos personagens. Em seguida, a narrativa exibe consequências que desmontam essa fantasia de poder.
Down afirma que parte dos espectadores do setor financeiro assiste apenas ao início desse ciclo. “Muitos veem a primeira fase e acham divertido. Não acompanham a etapa em que tudo implode”, disse.
Kay destacou que a recepção da série também expõe reações pessoais sobre comportamento e ambição no mercado financeiro. Para ele, a série provoca identificação com traços como competitividade e busca por resultados.
"Industry" estreou em 2020 e acompanha jovens profissionais tentando se firmar no setor financeiro de Londres. No início da série, os personagens atuam como trainees no banco de investimentos fictício Pierpoint & Co, enfrentando pressão por desempenho, competição interna e dilemas éticos.
À medida que avançam na carreira, os protagonistas deixam o “trading floor” e passam a ocupar posições com maior poder de decisão. Esse movimento altera as tramas, que passam a incluir operações de alto risco, relações estratégicas com investidores e conflitos pessoais ligados à ambição e ao status.
Com o encerramento da fase Pierpoint e a venda do banco, a narrativa se desloca para novos territórios financeiros. A quarta temporada coloca os personagens em lados opostos de uma fintech chamada Tender, que opera no segmento de pagamentos digitais e se torna peça central da disputa.
O enredo envolve pressões de investidores, divergências sobre governança, interesses corporativos e conexões com agendas regulatórias do governo.
O último ano da série também introduz mudanças no elenco e redistribui o foco entre os personagens. Harper passa a liderar um fundo de investimentos, Yasmin se move pelo circuito social e empresarial, e parte do núcleo original deixa a trama.
A temporada final na HBO aprofunda disputas internas, relações profissionais e estratégias corporativas, concluindo a trajetória dos personagens no ecossistema financeiro.