Ann Lee: Amanda Seyfried vive líder religiosa do século XVIII em novo longa (Disney/Divulgação)
Publicado em 19 de maio de 2026 às 06h02.
A cinebiografia musical “O Testamento de Ann Lee”, estrelada pela atriz Amanda Seyfried ("A Empregada", "Mamma Mia!"), já tem data para chegar ao streaming. Após estrear nos cinemas brasileiros em 12 de março de 2026, o longa entra no catálogo do Disney+ nesta quarta-feira, 20 de maio.
Dirigido por Mona Fastvold, o filme foi aplaudido de pé por 15 minutos durante sua exibição no Festival de Veneza e chamou atenção por transformar uma história religiosa do século XVIII em um épico musical.
A produção acompanha a trajetória de Ann Lee, fundadora do movimento religioso Shaker, proclamada por seus seguidores como a “personificação feminina de Cristo”. A narrativa mostra desde sua infância na Inglaterra até a criação de uma comunidade utópica nos Estados Unidos.
Segundo a revista Time, Fastvold define o longa como uma “recriação especulativa” da vida de Lee. O roteiro é assinado pela própria diretora em parceria com Brady Corbet, dupla responsável por “O Brutalista” (2024), vencedor de três Oscars.
Além de Seyfried, o elenco reúne Lewis Pullman, Thomasin McKenzie, Christopher Abbott, Tim Blake Nelson, Stacy Martin e Matthew Beard.
O filme retrata a ascensão de Ann Lee como líder espiritual dos Shakers, grupo religioso conhecido por rituais que misturavam canto, dança e movimentos corporais intensos durante as orações.
Na trama, Lee é perseguida pela Igreja Anglicana, internada em um hospício após afirmar ter tido visões religiosas e, posteriormente, inicia uma jornada rumo aos Estados Unidos para fundar uma comunidade baseada em celibato, igualdade social e pacifismo.
A produção adota o formato de musical porque, segundo a diretora, a música fazia parte central da prática religiosa dos próprios Shakers. As composições foram inspiradas em hinos reais do século XVIII e adaptadas pelo compositor Daniel Blumberg, vencedor do Oscar e do BAFTA por “O Brutalista”.
Ann Lee nasceu em Manchester, na Inglaterra, em 1736. Filha de uma família numerosa, cresceu próxima à Igreja Anglicana, mas passou a seguir ideias religiosas diferentes após conhecer James e Jane Wardley em 1758.
Entre as crenças defendidas pelo grupo estavam a ideia de que música e dança poderiam purificar o corpo do pecado e de que Deus se manifestaria como mulher na segunda vinda de Cristo.
Sucesso de Ryan Gosling, ‘Devoradores de Estrelas’ chega ao streamingApós perder os quatro filhos ainda na infância, Lee passou a defender o celibato absoluto como caminho para alcançar a pureza espiritual. Mais tarde, tornou-se líder dos Shakers e passou a defender igualdade social entre homens e mulheres e o pacifismo.
Em 1774, ela partiu para os Estados Unidos com seguidores e fundou uma comunidade em Niskayuna, no estado de Nova York. Lee morreu em 1784, aos 48 anos.
Os Shakers surgiram na Inglaterra do século XVIII e tinham como nome oficial “Sociedade Unida dos Crentes na Segunda Aparição de Cristo”.
O apelido veio dos rituais religiosos que envolviam movimentos intensos durante as orações. Entre os princípios do grupo estavam o celibato vitalício, o pacifismo e a igualdade entre homens e mulheres na liderança das comunidades.
Sucesso de Sydney Sweeney, ‘A Empregada’ chega ao streamingO movimento também ficou conhecido pela fabricação de móveis simples e funcionais, considerados até hoje um dos principais legados culturais dos Shakers.
No auge, em 1840, o grupo chegou a reunir cerca de 6 mil praticantes. Hoje, segundo a revista Slate, resta apenas uma comunidade ativa no mundo: o Sabbathday Lake Shaker Village, no estado do Maine, nos Estados Unidos.