(Imagem gerada por IA/EXAME)
Repórter
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 16h43.
Última atualização em 3 de agosto de 2026 às 16h53.
Há cerca de um mês, a Sony confirmou que deixará de produzir discos físicos para jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. Diante da forte repercussão da medida entre jogadores e colecionadores, a empresa voltou a comentar o assunto durante a apresentação dos resultados financeiros do primeiro trimestre do ano fiscal de 2026. Apesar das críticas, a fabricante reforçou que não pretende voltar atrás na decisão.
A posição foi defendida pela diretora financeira da companhia, Lin Tao, que afirmou que a Sony reconhece a importância da mídia física para muitos consumidores. No entanto, segundo a executiva, a migração para o formato digital é uma tendência que vem ganhando força em toda a indústria de entretenimento e deve continuar avançando nos próximos anos.
Durante a sessão de perguntas e respostas, Tao destacou que a decisão foi resultado de um longo processo de análise. De acordo com ela, "a empresa avaliou cuidadosamente o cenário do mercado antes de anunciar o encerramento da fabricação de discos".
A executiva também ressaltou que a Sony comunicou a mudança com aproximadamente 18 meses de antecedência para permitir que consumidores, parceiros e varejistas se adaptem à nova realidade. Segundo ela, a "transição continuará sendo conduzida de forma gradual até a implementação definitiva da medida".
Os números apresentados pela companhia ajudam a explicar a estratégia. No trimestre mais recente, 82% das vendas de jogos completos para PlayStation ocorreram por meios digitais. A empresa também afirmou que não identificou impactos relevantes em seus negócios desde que o anúncio foi realizado.
Desde a divulgação da decisão, milhares de jogadores manifestaram insatisfação nas redes sociais. Entre as principais preocupações estão questões relacionadas à preservação histórica dos games, ao colecionismo e aos debates sobre posse e propriedade de produtos digitais.
Segundo Lin Tao, a Sony recebeu opiniões variadas da comunidade e entende a intensidade da reação de parte do público. A executiva reconheceu que muitos jogadores associam os videogames a experiências pessoais e memórias afetivas construídas ao longo dos anos.
Mesmo assim, ela afirmou que o "foco da empresa está em encontrar novas formas de manter os usuários engajados em um cenário cada vez mais digital, reforçando que esse é o caminho que a companhia enxerga para o futuro da plataforma".
Outro tema abordado durante a sessão com investidores foi o impacto da mudança na identidade do PlayStation. Um dos questionamentos levantou a possibilidade de o console perder relevância diante dos PCs ao abandonar a mídia física.
Tao respondeu que "a Sony não considera os discos um diferencial determinante nessa disputa". Na visão da companhia, "os consoles continuarão atraindo consumidores por oferecerem uma experiência dedicada aos jogos, além de um ecossistema controlado, conteúdo selecionado e custo mais acessível em comparação com computadores gamers de alto desempenho".
A executiva também comentou a relação da empresa com o varejo. Segundo ela, a "Sony continuará trabalhando em conjunto com lojistas para desenvolver alternativas comerciais, incluindo a venda de embalagens físicas contendo apenas códigos para download dos jogos, modelo que deve permanecer disponível em diversos mercados".