Mariane Wiederkehr, CEO da Starbucks Brasil: "Os Estados Unidos é um mercado muito dependente da produção de café brasileiro” (Leandro Fonseca /Exame)
Repórter
Publicado em 3 de agosto de 2026 às 16h16.
O anúncio de tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros chegou a preocupar a Starbucks Brasil. Como uma das maiores compradoras de café do mundo, a companhia depende fortemente da produção brasileira para abastecer suas operações globais. Mas, segundo a CEO da Starbucks Brasil, Mariane Wiederkehr, a retirada do café da lista de produtos tarifados trouxe alívio ao setor.
"Num primeiro momento, a gente teve um impacto. Mas já na primeira revisão o café saiu, porque os Estados Unidos não produzem café. É um mercado muito dependente da produção de café brasileiro", afirma a executiva, em entrevista à EXAME no podcast “De frente com CEO”.
Segundo a CEO, entre 40% e 50% do café utilizado pela Starbucks no mundo tem origem no Brasil, dependendo da safra. Além disso, o país abriga um dos Farmer Support Centers da companhia, centro responsável por apoiar produtores na adoção de práticas sustentáveis e no aumento da produtividade das lavouras.
"A nossa aposta é que continue assim, porque realmente os Estados Unidos e o mundo têm uma dependência muito grande do café brasileiro", afirma Wiederkehr.
Embora a empresa utilize cafés de diferentes origens, como Colômbia, Quênia e Sumatra, Wiederkehr explica que a inclusão temporária do café nas tarifas levou a companhia a reavaliar sua estratégia global de abastecimento.
"Quando o café brasileiro foi taxado houve um reequilíbrio e usamos cafés de diferentes países. Mas hoje o café brasileiro está sem tarifa e corresponde por boa parte das nossas vendas globalmente," afirma.
Além de ser o maior produtor mundial de café, o Brasil também é um dos maiores consumidores da bebida. Para a Starbucks, isso faz do país um mercado estratégico tanto do ponto de vista agrícola quanto comercial.
A empresa pretende abrir 35 novas lojas neste ano, sendo o Brasil o mercado da América Latina que mais receberá novas unidades. Hoje, a rede opera 113 lojas no país.
Wiederkehr afirma que o objetivo é ampliar a presença da marca e transformar a Starbucks em uma opção para o consumo diário dos brasileiros, estratégia que passa pela adaptação do cardápio ao gosto local, incluindo um expresso desenvolvido especificamente para o paladar brasileiro e uma linha de cafés nacionais.
Apesar do alívio com a retirada do café da lista de tarifas, a executiva reconhece que fatores externos continuam sendo acompanhados de perto.
"A inflação é sempre um desafio. A gente busca eficiência continuamente para minimizar esses efeitos. Mas, no caso das tarifas, nossa expectativa é que o café continue fora porque a dependência do mercado americano em relação ao café brasileiro é muito grande."
Além do tarifaço, a Starbucks também acompanha outra transformação no mercado de alimentos e bebidas: o avanço dos medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy. Segundo Wiederkehr, essa mudança já influencia o desenvolvimento de produtos da companhia no Brasil.
"A gente acompanha muito essa tendência. O consumidor está buscando cada vez mais proteína e bebidas funcionais", afirma.
A resposta já chegou ao cardápio brasileiro. A Starbucks lançou recentemente bebidas com whey protein e passou a apostar em produtos à base de ube, ingrediente de origem asiática que ganhou espaço entre consumidores interessados em alimentos funcionais e novidades de sabor.
Segundo a CEO, as novidades fazem parte da estratégia da rede de acompanhar a evolução dos hábitos de consumo sem perder a essência da marca, que compete com a cultura da padaria entre os brasileiros.
"Nosso papel é entender para onde o consumidor está indo e adaptar o portfólio."