Tecnologia

Sony negocia venda vertical de TVs para a chinesa TCL; negócio pode chegar em US$ 1 bilhão

Operação em discussão prevê a transferência de uma participação relevante da área de entretenimento doméstico da Sony

Maria Eduarda Cury
Maria Eduarda Cury

Colaboradora

Publicado em 23 de março de 2026 às 14h16.

Última atualização em 24 de março de 2026 às 09h11.

A Sony pode fechar um acordo para vender uma participação significativa de sua divisão de entretenimento doméstico à TCL Electronics, grupo chinês de eletrônicos de consumo.

Segundo a Bloomberg, a transação está avaliada em aproximadamente US$ 1 bilhão e a conclusão da mudança é esperada ainda neste mês. Porta-vozes das duas empresas disseram, porém, que as conversas sobre um modelo de negócio que atenda aos dois lados seguem em andamento.

O movimento avança após as companhias terem anunciado, em janeiro, a intenção de formar uma joint venture, parceria societária, com divisão de 49% para a Sony e 51% para a TCL. A estrutura envolveria o negócio de entretenimento doméstico da companhia japonesa e a marca Bravia, uma das mais conhecidas no mercado de televisores.

No mercado financeiro, o contexto é desigual. As ações da Sony acumulam queda de 21% em Tóquio neste ano, o que levou seu valor de mercado a cerca de US$ 123 bilhões. Já a TCL avançou 4% em Hong Kong, alcançando uma avaliação em torno de US$ 3,5 bilhões.

A possível operação reforça a estratégia da TCL de ampliar sua presença no segmento de entretenimento doméstico e ganhar tração fora da Ásia. Para a fabricante chinesa, o acordo pode servir como atalho para mercados em que a Sony ainda preserva peso de marca e distribuição mais consolidada.

Pelo cronograma discutido até aqui, a nova empresa conjunta começaria a operar em abril de 2027. A partir daí, uma nova geração de televisores Bravia seria desenvolvida com uma combinação de tecnologias das duas companhias, numa tentativa de unir escala industrial e valor de marca.

Negócio de TVs se cruza com ativos mais rentáveis da Sony

A negociação também expõe como a Sony vem reorganizando prioridades dentro de um portfólio mais amplo de entretenimento. Embora televisores ainda tenham relevância simbólica para a companhia, o grupo hoje concentra parte de sua força em áreas como a Sony Music, a plataforma de streaming, transmissão contínua, Crunchyroll e os estúdios da Sony Pictures Entertainment.

Esse conjunto de ativos ajuda a explicar por que a divisão de hardware pode ser tratada de forma mais flexível. Ao mesmo tempo, a marca Bravia continua sendo um nome de peso na eletrônica de consumo, o que transforma a operação em um teste sobre até onde a Sony está disposta a dividir o controle de negócios tradicionais para priorizar áreas com margens mais altas.

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