Cinemark: executivo pede cautela sobre promessas da Netflix (Sunshower Shots/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 06h04.
Para o CEO da Cinemark, Sean Gamble, é preciso ter cautela em relação à Netflix na briga de quem vai levar a Warner.
Isso porque, recentemente, a Netflix afirmou que, caso compre o estúdio responsável por Harry Potter e Friends, manterá uma janela exclusiva de 45 dias para a exibição de filmes do estúdio nos cinemas antes de lançá-los em sua plataforma de streaming.
Segundo o executivo, em uma teleconferência com investidores na quarta-feira, 18, ele e outros distribuidores de cinema estão "um pouco apreensivos" com a decisão.
A promessa de Netflix de adotar uma janela mais tradicional surge em meio a uma possível aquisição da Warner Bros., estimada em cerca de US$ 83 bilhões, movimento que tem deixado Hollywood e proprietários de cinemas em alerta.
Segundo o co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, a intenção é "honrar os modelos de lançamento que exigem um período de exclusividade nas salas antes de as produções irem para o streaming".
Porém, para executivos como Gamble, isso ainda não dá garantias adicionais sobre investimentos contínuos e marketing sustentado para que os filmes realmente tenham tração nas telonas.
Segundo informações do The Hollywood Reporter, o temor entre exibidores vem de anos de "práticas mistas"de lançamento por parte de plataformas de streaming que, por vezes, deram prioridade ao público em casa em detrimento da experiência de cinema tradicional.
A Cinemark, por exemplo, já testou com a Netflix lançamentos de títulos como Army of the Dead: Invasão em Las Vegas (2021) em salas antes das estreias digitais, mas os resultados foram inconclusivos em termos de retorno financeiro para os cinemas, por isso a desconfiança atual sobre promessas futuras.
Além de debater o futuro das janelas de lançamento, a discussão toca um ponto mais amplo nas relações entre grandes estúdios, serviços de streaming e redes de cinema.
A promessa de Netflix de 45 dias é vista por alguns como um “número alvo” positivo, mas ainda sem detalhes claros sobre como será implementada em contratos formais entre as partes.
Em contrapartida, organizações como a Cinema United e outros exibidores pedem regulamentações que protejam o setor caso grandes aquisições alterem o fluxo de lançamentos ao público.