Brasil

AGU apoia decisão de Fachin sobre PF, e ministro da Justiça defende autonomia da corporação

Liminar suspendeu decisões dos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal

Presidente do STF, Edson Fachin (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)

Presidente do STF, Edson Fachin (Nelson Jr./SCO/STF/Flickr)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 20h20.

Última atualização em 9 de setembro de 2026 às 20h52.

Priorizar nos meus resultados Google

A Advocacia-Geral da União (AGU) celebrou, nesta quarta-feira, 9, a decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, sobre o comando da Polícia Federal (PF), enquanto o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, defendeu a autonomia da corporação.

A AGU disse ter recebido a medida com “satisfação, respeito e esperança”, e o ministro afirmou que a PF seguirá atuando “sem qualquer interferência”.

Em um curto período, o comando da Polícia Federal passou por uma reviravolta. Na terça-feira, 8, André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues, chefe da PF. O delegado, porr sua vez, recorreu em outro processo, relatado por Flávio Dino, que derrubou a medida e o reconduziu ao cargo.

Ao intervir, Fachin afirmou que as decisões sucessivas criaram um “inconciliável conflito de posições judiciais” e determinou que o caso seja tratado pela Presidência do STF. O ministro intimou Andrei a prestar informações em 48 horas. Somente após essa manifestação, segundo a decisão, será analisada a permanência do delegado no comando da PF.

O que diz a AGU

Para a AGU, “a decisão restaura a ordem pública e administrativa e, sobretudo, reafirma a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover os cargos de direção da Polícia Federal”.

Segundo o órgão, a medida também restabelece “as condições necessárias ao regular funcionamento das atividades da Polícia Federal, instituição essencial à segurança pública e ao Estado Democrático de Direito”.

A Advocacia-Geral da União disse ainda que a decisão de Fachin, na qual descreveu como "um ministro reconhecidamente sóbrio e prudente", contribui para “restaurar a institucionalidade no âmbito da Suprema Corte” e fortalecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário.

Segundo o órgão, a medida favorece a harmonia entre os Poderes ao respeitar as competências atribuídas pela Constituição Federal a cada um e "demonstra ainda o acerto da estratégia processual adotada pela AGU.

Na nota, a Advocacia-Geral da União também rebateu o que chamou de “narrativas plantadas na imprensa” e disse ter adotado, desde o início, uma postura de “diálogo institucional, pela prudência e pelo respeito às prerrogativas constitucionais dos Poderes da República”, atuando dentro de suas atribuições e em defesa dos interesses da União.

Ministro da Justiça defende autonomia da PF

Nas redes sociais, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, defendeu a autonomia da Polícia Federal após a decisão de Fachin. Segundo ele, a corporação seguirá trabalhando normalmente e sem interferência.

Em vídeo divulgado nesta quarta-feira, 9, o ministro afirmou que o Ministério da Justiça acompanhou, nos últimos dois dias, as medidas adotadas pelo governo para restabelecer o funcionamento regular da PF. Ele afirmou ter confiança de que o STF dará uma “solução adequada” às questões levadas à Corte.

“A Polícia Federal do Brasil continuará desenvolvendo as suas atividades em plena normalidade, buscando a verdade doa a quem doer, utilizando a sua autonomia sem qualquer interferência, valendo-se da sua reconhecida capacidade técnica”, disse. “Tenho certeza absoluta de que daremos continuidade à regularidade plena das atividades da Polícia Federal, de todas as suas operações, de toda a sua gestão."

Em nota, o Ministério da Justiça afirmou que cabe à PF “investigar, com plena liberdade e responsabilidade, onde quer que os fatos a conduzam, para que a verdade seja integralmente esclarecida e as responsabilidades, quaisquer que sejam, devidamente apuradas”.

Acompanhe tudo sobre:Política

Mais de Brasil

Flávio diz que quer usar maioria no Congresso para 'mudar a Constituição' e 'redemocratizar o país'

Quem ganhou na minha cidade? Veja se Lula ou Flávio venceu no seu município

Coordenador da campanha de Flávio diz que novo Senado 'não será omisso' sobre crimes de ministros

Campanha de Lula usa 'medo' contra Flávio e dirá que ele não vai aumentar salário mínimo se eleito