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A Copa do Mundo virou um campeonato de memes para a Geração Z

Pesquisas mostram que humor, segunda tela e redes sociais redefinem a forma como os jovens acompanham o Mundial — em especial a Seleção Brasileira

Endrick: jogador é um dos principais memes da Copa de 2026 (Mauro PIMENTEL / AFP)

Endrick: jogador é um dos principais memes da Copa de 2026 (Mauro PIMENTEL / AFP)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 29 de junho de 2026 às 06h05.

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A Copa do Mundo deixou de ser, para a geração Z, apenas uma competição de futebol. Virou um fenômeno cultural vivido em várias telas ao mesmo tempo, em que o jogo é só uma parte da experiência — e os memes são a principal porta de entrada.

É o que mostra um conjunto de pesquisas recentes, conduzidas no Brasil e em outros países por institutos e empresas de dados, sobre como os mais jovens se relacionam com o Mundial de 2026.

No Brasil, o retrato é visível. Para 82% da geração Z, são os memes e o humor — não os lances ou as análises táticas — o tipo de conteúdo que mais representa essa geração durante a Copa.

O dado é de uma pesquisa do InstitutoZ, núcleo de estudos da consultoria Trope-se, e ajuda a explicar por que o maior fenômeno brasileiro do torneio até agora nasceu fora das quatro linhas.

O humor como linguagem de entrada

A pesquisa do InstitutoZ revela uma inversão na forma como os jovens consomem o futebol. Assistir ao jogo continua sendo um momento social, com amigos e família, mas acontece em paralelo a uma interação digital constante: a geração Z comenta em tempo real, compartilha conteúdo e cria narrativas próprias.

O futebol, para essa geração, não precisa ser técnico para ser consumido.

Depois dos memes e do humor, apontados por 82%, vêm as críticas e debates (45%), o conteúdo tático ou esportivo (42%), as reações e bastidores (37%), a moda e estética dos jogadores (13%) e as campanhas de marca (11%).

O Instagram lidera as plataformas usadas durante a Copa, com 79%, seguido por WhatsApp e Telegram (49%), YouTube (46%), TikTok (43%) e X (41%).

A Endrickmania como prova viva

Nenhum episódio ilustra melhor essa lógica do que a chamada Endrickmania.

Mesmo quase sem jogar, o atacante de 19 anos virou o nome mais comentado do Mundial entre os brasileiros, a partir de uma enxurrada de memes sobre a suposta implicância do técnico Carlo Ancelotti com o jovem, que começou quando ele ficou no banco na estreia contra o Marrocos.

Os números dão a dimensão do fenômeno.

Após o primeiro jogo, Endrick foi o atleta da seleção mais mencionado nas redes, com 31.480 citações — à frente de Vini Jr., autor do gol, com 28.600. Em 14 dias, o atacante ganhou 2 milhões de novos seguidores no Instagram, e chegou a somar quase 600 mil em apenas 24 horas após o desabafo no banco, segundo levantamento.

Quando o meme atravessa fronteiras

O fenômeno não ficou restrito ao Brasil. O jornal The New York Times classificou os memes envolvendo Endrick e Ancelotti como uma das principais sensações virais da Copa, em texto que descreveu a criatividade dos torcedores brasileiros como um "memepocalipse".

O diário espanhol Marca também repercutiu a Endrickmania, e até clubes europeus, como o Málaga, entraram na brincadeira.

As marcas seguiram o movimento. Netflix, Domino's e Duolingo participaram das piadas nas redes; a Neosaldina, de quem Endrick é embaixador, chegou a exibir um telão na Times Square; e o humor chegou a misturar a seleção com animes como Naruto, em que o atacante foi apelidado de "Jinchūriki do Pelé".

O segundo screen virou parte do jogo

O comportamento brasileiro reflete uma tendência global.

Um estudo da Snap, dona do Snapchat, mostrou que, para a geração Z, a chamada segunda tela deixou de ser secundária. Durante as pausas para hidratação, previstas para o 22º minuto de cada tempo, 74% dos jovens pegam o celular para checar mensagens ou redes sociais, criando uma nova janela de atenção.

A pesquisa da Snap também mostra que 62% dos jovens dizem que aplicativos de mensagem os fazem se sentir mais conectados aos outros torcedores durante as partidas, e 72% mandam mensagem a amigos imediatamente após um gol.

Para essa geração, a emoção do jogo se desenrola tanto no campo quanto nos grupos.

Engajados, mas seletivos

Globalmente, os dados confirmam que a geração Z é o público mais engajado do torneio. Um levantamento da The Trade Desk com a Appinio, que ouviu cerca de 40 mil consumidores em oito países, apontou que 83% dos jovens dessa geração planejavam acompanhar o Mundial, com interesse especialmente alto na Europa e no Canadá.

Outro estudo, da Nexxen, indicou que 93% deles pretendem continuar assistindo mesmo que a seleção que torcem seja eliminada.

Nos Estados Unidos, onde o futebol disputa espaço com outros esportes, a geração Z também lidera o interesse: 40% pretendem assistir, segundo a Numerator, contra 24% dos baby boomers.

E 37% planejam acompanhar a Copa por redes sociais como TikTok e Instagram, ante 23% da média geral — confirmando que, para os mais jovens, seguir o Mundial é, cada vez mais, uma experiência de tela pequena.

O retrato que emerge das pesquisas é o de uma geração que não é menos fã, mas fã de outro jeito: vive a Copa como um ecossistema de conteúdo que começa antes do apito inicial e continua muito depois do fim do jogo — e em que rir, compartilhar e comentar valem tanto quanto assistir.

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