Fátima Lima, diretora de sustentabilidade da MAPFRE (MAPFRE/Divulgação)
Redatora
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 17h07.
Na maioria das seguradoras, a fundação social é um braço da empresa. Na Mapfre, é o contrário. A Fundação Mapfre, criada há mais de três décadas no Brasil, é acionista majoritária da seguradora, detentora da maior parte de suas ações.
"Nós somos uma fundação que tem uma empresa, e não uma empresa que tem uma fundação", diz Fátima Lima, diretora de sustentabilidade da companhia e responsável por trazer a fundação ao país.
Essa inversão de hierarquia explica por que o voluntariado corporativo na Mapfre não funciona como ação isolada de responsabilidade social. Ele está dentro da estratégia de gestão de pessoas da empresa, com metas próprias e um pilar dedicado dentro da área de recursos humanos.
No ano passado, mais de 64% dos 2.400 funcionários da companhia participaram de ao menos uma ação voluntária, superando a meta interna de 40%.
A Fundação Mapfre administra cerca de 19 projetos sociais espalhados pelo Brasil e prioriza a participação dos colaboradores nessas ações, mas não se limita a elas.
Funcionários também trazem instituições de suas próprias regiões para receber apoio da empresa, em uma lógica que a companhia chama de mão dupla.
Dentro do RH, o programa está estruturado como um pilar de sociedade, que envolve não só os funcionários, mas também seus familiares. "O programa de voluntariado faz parte da nossa estratégia de gestão de pessoas", diz Ana Paula Berniz, que iniciou a carreira como estagiária na Mapfre aos 19 anos e hoje, após duas décadas na companhia, lidera o engajamento dos colaboradores nessa frente.

O salto de engajamento não veio de uma campanha pontual. Segundo Ana Paula, o número cresce ano a ano porque a decisão de se voluntariar passa pelas lideranças, não só pelo indivíduo: o líder se movimenta com a própria equipe em busca de impacto social, o que eleva a adesão de forma orgânica. A meta para este ano subiu para 65%, com expectativa de superação.
O alcance também é geográfico. Além de São Paulo, a Mapfre promove ações em São Carlos e nas cerca de 22 sucursais espalhadas pelo país, cada uma organizando iniciativas de acordo com a necessidade local.
No setor de seguros, o voluntariado ganha um recorte específico: educação financeira e securitária para populações vulneráveis, além de ações de prevenção de risco e fortalecimento de resiliência climática. Em grandes catástrofes ambientais no Brasil, a Fundação Mapfre já prestou ajuda extraordinária, mobilizando também os voluntários da empresa.
Internamente, o impacto aparece em competências como liderança, trabalho em equipe e empatia. "Quando a gente sai de um ambiente de trabalho para fazer uma ação de voluntariado, a gente, na prática, está se desenvolvendo como ser humano", diz Ana Paula.
Para os próximos anos, a dupla projeta o voluntariado menos como métrica de engajamento e mais como ferramenta de desenvolvimento de talentos, ligada diretamente ao aprendizado e à capacitação dos colaboradores.
O modelo também é replicado globalmente: todos os países onde a Mapfre atua têm programas de voluntariado corporativo coordenados entre si.
"O colaborador da Mapfre, quando sai de uma ação de voluntariado, você vê o brilho no olho dele", diz Fátima. Na seguradora que pertence a uma fundação, o retorno social também vira, aos poucos, estratégia de gente.