Julgamento: Lizzie Borden foi absolvida por falta de provas em 1893 (Universal History Archive/Universal Images Group)
Repórter
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 14h35.
A Netflix estreia em 17 de setembro "Monstro: A História de Lizzie Borden", quarta temporada da antologia true crime criada por Ryan Murphy e Ian Brennan.
A série revisita um dos crimes mais famosos da história dos Estados Unidos: o assassinato de Andrew Borden e de sua segunda esposa, Abby, mortos a golpes de machado em 1892.
Mais de 130 anos depois, o caso continua oficialmente sem solução. Lizzie Borden, filha de Andrew e principal suspeita, foi julgada e absolvida por falta de provas, mas permaneceu ligada ao crime pela opinião pública. Entenda a história que inspira a nova temporada.
Retrato de Lizzie Borden, figura histórica que inspira a nova temporada da série antológica 'Monstro' da Netflix. (Domínio Público)
Lizzie Andrew Borden nasceu em 19 de julho de 1860, em Fall River, Massachusetts. Era filha do empresário Andrew Jackson Borden, dono de imóveis e integrante da diretoria de bancos locais, e de Sarah Anthony Borden, que morreu quando ela ainda era criança.
Anos depois, Andrew se casou com Abby Durfee Gray, madrasta de Lizzie e da irmã mais velha, Emma. Apesar da fortuna da família, os Borden levavam uma vida considerada simples para os padrões da elite local. Lizzie dava aulas na escola dominical, participava de organizações religiosas e era vista como uma mulher respeitável.
Na manhã de 4 de agosto de 1892, Abby Borden foi encontrada morta em um quarto da casa após receber 17 golpes na cabeça. Horas depois, Andrew Borden, de 70 anos, foi localizado sem vida no sofá da sala, atingido por 11 golpes que desfiguraram parte do rosto.
Além das vítimas, apenas Lizzie e a empregada Bridget Sullivan estavam na residência. Sullivan afirmou que limpava as janelas quando foi chamada por Lizzie, que disse ter encontrado o pai morto. A polícia encontrou machados e machadinhas no porão da casa, mas nenhuma arma pôde ser ligada ao crime.
A investigação rapidamente concentrou as atenções em Lizzie. Testemunhas disseram que ela tentou comprar ácido prússico, um veneno, na véspera dos assassinatos. Dias depois, também foi vista queimando um vestido, alegando que a peça estava manchada de tinta.
Outro fator que chamou atenção foi a relação conturbada com a madrasta. Lizzie evitava fazer refeições com Abby e costumava chamá-la apenas de "Sra. Borden". Historiadores também apontam disputas pela herança e o episódio em que Andrew matou pombos criados pela filha como possíveis motivos para o crime.
O julgamento começou em junho de 1893 e se transformou em um dos casos mais acompanhados pela imprensa americana no fim do século XIX. Durante o processo, Lizzie apresentou versões consideradas contraditórias sobre o dia dos assassinatos.
Apesar das suspeitas, a acusação não conseguiu apresentar provas materiais. A arma usada no crime nunca foi identificada e os recursos da perícia eram limitados para a época. Em 20 de junho de 1893, o júri absolveu Lizzie por falta de evidências.
Ninguém mais foi acusado pelos assassinatos de Andrew e Abby Borden. Ao longo das décadas, surgiram teorias que envolvem desde disputas familiares até um suposto relacionamento entre Lizzie e Bridget Sullivan, além da hipótese de abusos sofridos pela jovem. Nenhuma delas, porém, foi comprovada.
Lizzie morreu em 1927, aos 66 anos, sem admitir qualquer envolvimento no caso. A história inspirou livros, documentários, séries e filmes, como "Lizzie" (2018), estrelado por Chloë Sevigny e Kristen Stewart, e agora volta às telas na quarta temporada de "Monstro", da Netflix.