Lucas Costa e Rodolfo Oliveira, da XR Advisor: foco na estruturação de empresas antes da hora da venda (Divulgação/Divulgação)
Editor de Negócios e Carreira
Publicado em 3 de março de 2026 às 09h42.
A XR Advisor, fundo de participações que compra fatias minoritárias de empresas em expansão e combina investimento com reorganização interna dos negócios, decidiu crescer por dois caminhos ao mesmo tempo.
De um lado, concluiu a aquisição da Domínio Financeiro, consultoria voltada à organização financeira de pequenas e médias empresas.De outro, inaugurou no dia 26 de fevereiro uma nova sede de 1.000 metros quadrados em Alphaville, em Barueri (SP), que passa a concentrar empresas investidas e os times do grupo no mesmo endereço.
As duas movimentações marcam uma nova fase do fundo fundado pelo mineiro Rodolfo Oliveira.
A compra da Domínio amplia a atuação da XR em empresas com EBITDA a partir de R$ 1 milhão, faixa que antes ficava fora do foco principal, concentrado em negócios com EBITDA acima de R$ 10 milhões.
Já o escritório em São Paulo substitui a antiga base no Rio de Janeiro e foi desenhado para reunir soluções de finanças, governança, estrutura societária, fusões e aquisições, seguros e backoffice sob o mesmo teto.
“Em vez de vender a empresa a qualquer custo, a gente estrutura a casa primeiro. A decisão de crescer, captar ou vender vem depois”, afirma Oliveira.
Segundo ele, a entrada no chamado lower middle market atende a uma demanda recorrente.
“O empresário brasileiro muitas vezes só procura instrumento financeiro quando está em crise ou quando quer vender. A gente prefere entrar antes, organizar e preparar”, diz.
A Domínio Financeiro, fundada por Wilson Sanches, mantém cerca de 100 clientes ativos e já atendeu mais de mil empresas ao longo da trajetória.
Com a integração, 24 dessas empresas passam a operar dentro da nova estrutura chamada XD, braço criado para atender negócios menores com serviços de organização financeira, definição de indicadores, revisão de precificação e planejamento.
Hoje, a XR administra participações em 26 empresas. O faturamento bruto consolidado dessas operações superou R$ 15 bilhões em 2025, ante R$ 14 bilhões no ano anterior.O fundo opera com patrimônio líquido de 80 milhões de dólares e valuation de carteira estimado em R$ 1,4 bilhão.
Segundo Oliveira, a lógica é manter uma avaliação conservadora, considerando que parte das empresas ainda não passou por um evento de liquidez.
“Nosso foco é equity. Serviço organiza a empresa. O grande ganho vem da participação societária”, afirma.
A estratégia de investimento é comprar até 10% das companhias, com ticket médio de R$ 5 milhões.
A XR evita assumir controle e não disputa operações com grandes fundos que exigem cheques mais altos e participação majoritária.
Além da tese de investimento, o grupo mantém uma esteira de serviços que funciona como porta de entrada. A diligência assistida, com ticket médio atual de R$ 40.000, revisa pessoas, processos, tecnologia e governança.
Para empresas menores, há a Domínio Financeiro, com ticket de cerca de R$ 7.000 mensais, e a XD, com ticket de R$ 15.000.
No braço de serviços, a XR gera cerca de R$ 10 milhões por ano em faturamento.
“Em vez de ter custo de aquisição de cliente, a gente tem lucro na aquisição. O empresário paga para organizar a casa. Se fizer sentido, a gente investe”, afirma Oliveira.
A trajetória do fundador ajuda a explicar o modelo. Rodolfo Oliveira nasceu em Minas Gerais e começou a trabalhar aos 14 anos como office boy no Tribunal de Justiça do estado. Depois passou pela hotelaria, onde chegou a chefe de recepção em Belo Horizonte.
“Eu vim de família de servidor público. Sempre tive perfil conservador. Nunca quis dar um passo maior que a perna”, afirma.
Ele migrou para a área de gestão e consultoria estratégica em hotelaria. Fundou a XR Advisor em 2015, que ganhou tração após 2016.
Também estruturou operações no setor de hotéis, incluindo ativos como o Vogue Square Fashion Hotel e o Ramada Encore Ribalta, além de investir em negócios de marketing digital, alimentos, seguros e serviços.
Aos 34 anos, lidera uma estrutura com 26 empresas em diferentes setores. O crescimento agregado entre 2021 e 2022 foi de 61%, segundo dados do grupo.No início, a XR cobrava cerca de R$ 12.000 por mês para organizar operações hoteleiras e negócios familiares. “Eu cobrava barato demais para projetos complexos. Isso gerava até desconfiança”, diz.
O ponto de virada veio quando decidiu investir dinheiro próprio nas empresas que atendia. “Eu não acreditava no modelo tradicional de consultoria. Se eu não coloco capital, eu fico só opinando”, afirma.
Os primeiros cheques variaram entre R$ 500.000 e R$ 1 milhão. A partir daí, a XR passou a atuar como investidora minoritária, comprando até 10% das empresas.
“Eu sempre tomei cuidado para não flertar com risco de ruína”, afirma.
“A gente precisava arrumar governança, vesting, modelo de sociedade. Sozinho eu não ia conseguir”, afirma Costa.
Segundo ele, após a reorganização, a empresa saiu de R$ 27 milhões de faturamento para mais de R$ 80 milhões. Houve uma transação envolvendo R$ 25 milhões e a projeção atual é alcançar entre R$ 140 e R$ 160 milhões neste ano.
Depois da venda, Costa decidiu comprar 10% da operação de serviços da XR e se tornou sócio do grupo.
“Eu vivi o ciclo completo. Fui cliente, validei o método e depois virei parceiro”, afirma.
Hoje ele atua na expansão do braço de serviços e na integração das empresas investidas.
“Quando você organiza balanço, organograma e modelo societário, a empresa vira outra. Fica mais simples crescer ou negociar”, diz.
A nova sede em Alphaville foi pensada para reunir empresas investidas, executivos e parceiros no mesmo espaço.
O prédio de 1.000 metros quadrados deve receber encontros semanais entre empresários da base da XR.“A maior carência do empresário não é capital. É ambiente e alinhamento”, afirma Oliveira.
Segundo ele, o plano é ampliar o número de empresas investidas mantendo a lógica de participação minoritária, sinergia entre os negócios e preparação prévia antes de qualquer venda.
“Só entra empresa que conversa com o ecossistema”, diz.
Ao lado de Lucas Costa, a meta é fortalecer a entrada em empresas menores por meio da Domínio e da XD, ampliar o pipeline de investimentos e consolidar São Paulo como centro das operações do grupo.
“A gente quer estruturar mais empresas antes que elas cheguem na hora da venda. Organizar primeiro. Decidir depois”, afirma Oliveira.