De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a iniciativa incorpora tecnologias avançadas de análise, como o sistema de “Remote Targeting” utilizado pelos norte-americanos (Diogo Zacarias/Divulgação)
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Publicado em 14 de abril de 2026 às 19h22.
A implementação de uma parceria entre a Receita Federal e a U.S. Customs and Border Protection (CBP, na sigla em inglês) — agência de fronteiras dos Estados Unidos — para reforçar o combate ao crime organizado transnacional foi anunciada nos últimos dias pelo Ministério da Fazenda. Batizada de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), a iniciativa tem como eixo a integração de inteligência e a realização de operações conjuntas para interceptar o tráfico internacional de armas e drogas.
Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, a medida amplia um esforço já em curso no País. Nos últimos 12 meses, foram apreendidas cerca de meia tonelada de armas e 1,5 tonelada de drogas em portos e aeroportos brasileiros — com predominância de substâncias sintéticas e haxixe. A expectativa é de que o novo modelo de cooperação eleve a capacidade de prevenção e resposta das autoridades.
O acordo prevê o compartilhamento estruturado de informações sobre cargas entre os dois países, incluindo dados antecipados de contêineres que partem dos Estados Unidos com destino ao Brasil. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a iniciativa incorpora tecnologias avançadas de análise, como o sistema de “Remote Targeting”, utilizado pelos norte-americanos. A ferramenta permite uma espécie de “raio-X” remoto das remessas, combinando imagens e inteligência para identificar cargas suspeitas antes mesmo de sua chegada.
Alertas em tempo real
Um dos pilares do projeto é o programa Desarma, desenvolvido pela Receita Federal. O sistema informatizado possibilita o rastreamento internacional de armas e o envio de alertas em tempo real entre as autoridades dos dois países. Sempre que a aduana brasileira identificar itens sensíveis de origem americana — como armas, munições ou componentes —, haverá notificação automática às autoridades dos EUA, criando um fluxo contínuo de retroalimentação de dados.
Além de ampliar a capacidade de fiscalização, a ferramenta organiza informações detalhadas sobre apreensões, incluindo origem declarada, tipo de material e rotas logísticas. Esse mapeamento permite identificar padrões e redes ilícitas, fortalecendo o combate ao tráfico internacional.
A cooperação ocorre em um contexto mais amplo de cooperações bilaterais entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, com foco no enfrentamento de organizações criminosas que atuam além das fronteiras nacionais. A iniciativa também dialoga com debates recentes nos Estados Unidos sobre a possível classificação de facções brasileiras como organizações terroristas — medida que, se adotada, poderia implicar sanções econômicas e restrições internacionais.