'Casamento' entre Assessoria Vip (esquerda) e Casar.com (direita): “Queremos ser a estrutura natural para quem faz o mercado de casamentos acontecer no Brasil” (Edição EXAME)
Repórter
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 09h30.
Estar presente em quase todos os ‘sim’ do país, do primeiro orçamento até o último presente entregue: essa é a ambição do novo grupo formado por Casar.com e Assessoria VIP, que quer crescer cerca de 30% em faturamento em 2026, em um mercado de casamentos estimado em R$ 32 bilhões.
Hoje, as operações já alcançam cerca de 60% dos casamentos “elegíveis” no país. Considerando o número de registros anuais no civil, somam 300 mil sites de casamento criados em 2025 e 40 mil eventos geridos por profissionais que usam a ferramenta da Assessoria VIP.
A meta é ampliar esse alcance para 77% em 12 meses e transformar o banco de informações em uma espécie de “raio X” do setor, com uso de dados para antecipar tendências de consumo, orçamento e comportamento dos casais.
O nome Casar.com pode ser mais familiar ao grande público. Quem é convidado para um casamento ou monta o próprio costuma usar o site para reunir informações e listas de presentes.
Já a Assessoria VIP é mais conhecida entre profissionais de bastidor — uma ferramenta de gestão que, sozinha, concentra mais de 3.000 assessores em um mercado estimado em 5.000 a 6.000 profissionais no país.
De um lado, a plataforma gratuita para casais, remunerada por taxas sobre os presentes convertidos em dinheiro; de outro, o “sistema nervoso” da operação dos assessores, que organizam fornecedores, cronogramas e pagamentos de cada evento.
Na prática, a união formaliza um movimento que já acontecia nos bastidores. “Há seis anos vínhamos atuando em parcerias em muitas frentes, mas a partir de agora operamos com uma visão única de longo prazo para o setor”, diz Marcelo D’Alfonso, CEO do Casar.com.
O desenho do grupo parte de quatro públicos-chave que sustentam a engrenagem do casamento: casais, convidados, assessores e fornecedores.
“Percebemos que precisávamos entrar antes, na própria contratação da assessoria”, afirma D’Alfonso. É aí que a operação da Assessoria VIP, feita sob medida para o dia a dia das assessorias, se torna a porta de entrada para o grupo.
A proposta é que as duas plataformas continuem existindo como produtos distintos, mas operando por trás dos bastidores como um único grupo.
“São perfis e necessidades diferentes. Não dá para misturar as plataformas, mas dá para olhar para tudo com a mesma cabeça”, diz.
Beleza com dados: ela vai muito além da maquiagem para a noiva se sentir bem no espelho e no altarAntes de virar plataforma digital, o Casar.com nasceu de um evento físico: o Evento Casar.com, feira de casamento que já tem 24 anos e se consolidou como vitrine de tendências do setor.
Nos últimos anos, o encontro ocupou o Shopping JK, em São Paulo; em 2026, migra para um espaço maior na avenida Paulista, em um movimento de expansão de público e reposicionamento — para o CEO, torna-se mais próximo de um summit, encontro voltado a debates e negócios, do que de uma feira focada só em orçamentos e degustações.
Segundo D’Alfonso, a feira deixou de ser o “coração financeiro” do negócio para assumir um papel de branding. Ainda assim, o peso simbólico do evento é grande: já recebeu mais de 300 mil visitantes em duas décadas e se tornou referência para quem busca referências de decoração, vestidos, buffets e serviços de bar.
Enquanto o evento funciona como porta de entrada e vitrine, a operação principal está no ambiente online. Com a combinação das duas plataformas, o grupo passa a ter uma visão contínua da jornada e constrói uma base de informações rara sobre o comportamento de quem casa no Brasil.
Do lado dos casais, segue o modelo já conhecido do site com lista de presentes convertida em dinheiro. Do lado das assessorias, a ferramenta ajuda a organizar um evento que, em média, reúne 15 fornecedores diferentes — do buffet ao fotógrafo, passando por decoração, banda e aluguel de espaço — e substitui planilhas de Excel e cadernos por uma visão única do negócio.
Ela largou a engenharia para fazer pintura ao vivo em casamentos. Aos 31, fatura meio milhão por anoEm um setor descrito por D’Alfonso como “muito pulverizado e pouco profissionalizado”, a ambição é usar essa escala para produzir inteligência de mercado: estudos sobre orçamento, preferências de consumo, tipos de festa e prazos de contratação, que sirvam tanto para os profissionais quanto para a própria estratégia do grupo.
Há, porém, um ponto de atenção. O executivo reconhece que o mercado de casamento no Brasil está “estagnado” em um patamar de aproximadamente 1 milhão de casamentos por ano, número que não se movimentou significativamente nos últimos anos.
Ou seja: o grupo cresce em participação em um tabuleiro que, em tamanho absoluto, não aumenta no mesmo ritmo. Nesse cenário, a projeção de alta de 30% no faturamento em 2026 vem mais de ganho de eficiência e consolidação de mercado do que de um “boom” de novos casamentos.
A empresa não abre números absolutos de receita, mas aponta a união das operações como principal alavanca de crescimento. Na prática, o grupo passa a disputar não só o orçamento dos casais, mas também o tempo e a fidelidade das assessorias, que podem concentrar toda a operação dentro do mesmo ecossistema.
Por ora, o plano declarado é usar essa escala para profissionalizar o mercado — e não para fechar o cerco. “Queremos ser a estrutura natural para quem faz o mercado de casamentos acontecer no Brasil”, resume D’Alfonso.