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A nova aposta da Gramado Parks: vinho na Serra Gaúcha

Grupo de turismo aposta em vinícola, experiências de enoturismo e projeto imobiliário para ampliar portfólio além de hotéis e parques

Laura Pancini
Laura Pancini

Repórter

Publicado em 16 de março de 2026 às 08h35.

Última atualização em 17 de março de 2026 às 10h40.

A Gramado Parks, empresa de turismo responsável por parques temáticos e hotéis na Serra Gaúcha, decidiu entrar em um novo mercado: a viticultura.

O investimento total foi de cerca de R$ 11 milhões em uma vinícola no complexo do Divisa Experience Resort, projeto desenvolvido em parceria com o grupo Coobrastur na Barragem do Divisa, em São Francisco de Paula (RS), e prepara um complexo imobiliário que pode superar R$ 100 milhões nas próximas fases.

A iniciativa inclui experiências de enoturismo, passeios saindo de Gramado e, no futuro, um projeto residencial voltado ao conceito de wellness, focado em reconexão com natureza e bem-estar.

A movimentação acontece pouco tempo depois da empresa avançar em sua reestruturação financeira. Segundo o presidente Ronaldo Costa Beber, a companhia assumiu uma gestão mais profissionalizada após pedir recuperação judicial em 2023, aprovando o plano com apoio de credores e iniciando o pagamento das obrigações. Nos últimos 12 a 14 meses, a empresa já quitou cerca de R$ 50 milhões do plano de recuperação e trabalha para sair do processo nos próximos meses.

Para a Gramado Parks, o movimento marca uma expansão estratégica para além dos parques temáticos e hotéis — e tenta capturar um público que já frequenta esses empreendimentos ou a região.

A ideia é que, se milhões de turistas já passam por lá todos os anos, parte deles pode ser convertida também em visitantes da vinícola — e, eventualmente, em proprietários de uma casa no novo complexo.

Hoje, a Gramado Parks opera quatro hotéis na região, sete restaurantes e atrações como o parque de neve indoor Snowland e o parque aquático Acqua Motion.

O novo projeto nasceu de uma demanda recorrente dos hóspedes e visitantes dos parques: mais conexão à natureza e ao campo. “Percebemos que tínhamos o público dentro de casa, mas não havia oferta desse tipo de experiência”, afirma Beber.

A decisão também tem relação com o perfil do turismo na Serra Gaúcha. “Gramado recebe cerca de 8 milhões de turistas por ano, mas a maior parte das vinícolas está em Bento Gonçalves, a mais de duas horas de distância”, diz Beber.

O projeto inclui mais de 100 hectares de área e a construção de uma casa de recepção para visitantes, prevista para começar nos próximos meses. A experiência deve incluir transporte diário saindo de Gramado, visitas guiadas, almoço e degustação de vinhos em um mirante com vista para a barragem da Divisa.

Do vinho ao imobiliário

A vinícola é apenas a primeira etapa. A empresa também estuda criar um empreendimento imobiliário integrado ao complexo, inspirado em projetos europeus que combinam vinhedos, hotelaria e residências de uso compartilhado.

A proposta prevê casas em modelo de timeshare, ou propriedade compartilhada. Nesse formato, o cliente compra uma fração do imóvel e tem direito a utilizá-lo por um período específico do ano, estimado em cerca de 45 dias anuais.

O conceito do projeto também incorpora tendências de turismo de bem-estar. A ideia é oferecer atividades ligadas à produção agrícola — como hortas, colheita e contato com animais — combinadas com experiências de spa, meditação e gastronomia local.

Segundo Beber, o investimento imobiliário ainda está em fase de planejamento e depende de licenças ambientais e aprovação do plano mestre. A expectativa é protocolar as licenças em 2026 e iniciar a comercialização entre o fim de 2026 e o começo de 2027.

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