A revista Time publicou nesta quarta-feira, 15, sua tradicional lista com as 100 pessoas mais influentes do ano. Como de costume, a seleção tem estrelas do entretenimento, atletas, cientistas, executivos e figuras políticas.
Nessa última categoria, foram elencados pelo veículo 25 nomes, entre eles Donald Trump, Xi Jinping, Benjamin Netanyahu e o Papa Leão XIV. Após um ano marcado por numerosos conflitos militares, protestos, eleições e tarifas, o cenário geopolítico global tem se alterado rápida e severamente.
Os chefes de Estado mais influentes em 2026
Entre os 195 países reconhecidos no mundo, a Time selecionou e descreveu o papel global de 11 chefes de Estado entre as pessoas mais influentes de 2026:
- Donald Trump: O presidente dos EUA redesenhou a ordem global. No último ano, aprovou uma reforma tributária massiva, impôs tarifas globais e executou uma agenda de deportação com unidades militares em cidades americanas. No exterior, ordenou ataques a locais nucleares iranianos, travando uma guerra com Teerã, e interveio na Venezuela até a captura de Nicolás Maduro.
- Xi Jinping: No comando da China desde 2012, Xi consolidou seu poder sobre a economia e o Partido Comunista. Agora, foca em reescrever as regras globais através da Organização de Cooperação de Xangai, promovendo a moeda chinesa como alternativa ao dólar e avançando interesses sobre Taiwan, enquanto utiliza o domínio de terras raras para pressionar rivais.

Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, durante reunião na Coreia do Sul (Andrew Caballero-Reynolds/AFP)
- Benjamin Netanyahu: Após atentados em 2023, o primeiro-ministro israelense operou uma recuperação política através de campanhas militares no Irã, na Palestina e no Líbano. Apesar de popular internamente, enfrenta desgaste internacional pelas mortes de civis em Gaza e a expansão de assentamentos.
- Claudia Sheinbaum: A presidente do México enfrentou ameaças de tarifas de Trump e a violência de cartéis, respondendo com a captura do traficante "El Mencho" e a destruição de laboratórios de fentanil. Defende a soberania mexicana de forma diplomática, apesar da economia lenta e da crise de pessoas desaparecidas.

Claudia Sheinbaum, presidente do México. (José Méndez/EFE)
- Mette Frederiksen: A primeira-ministra dinamarquesa ganhou o apelido de "Dama de Ferro" por sua postura firme na defesa. Diante das ameaças de Trump de adquirir a Groenlândia, seu governo planejou destruir campos de pouso para evitar uma invasão. Ela lidera um aumento nos gastos militares e pede uma Europa mais forte e autossuficiente contra a ameaça russa.
- Balendra Shah: Aos 35 anos, o ex-astro de hip-hop foi eleito o primeiro-ministro mais jovem do Nepal, impulsionado por protestos da Geração Z contra a velha guarda. Conhecido como "Balen", o engenheiro civil e ex-prefeito de Catmandu é visto como um fenômeno populista que repudia a política dinástica do Sul da Ásia.

Balendra Shah, eleito primeiro-ministro do Nepal. (Prakash Mathema/AFP)
- Papa Leão XIV: Primeiro Papa nascido na América do Norte, o pontífice de Chicago busca reformar a Igreja para recuperar sua credibilidade moral após escândalos de abuso e corrupção. Defende uma "Igreja fora dos prédios", focada na caridade e no papel ativo dos leigos, enfatizando a presença de Deus na existência cotidiana.

Papa Leão XIV (Alberto Pizzoli/AFP)
- Sanae Takaichi: Tornou-se a primeira mulher primeira-ministra do Japão em outubro, quebrando um "teto de ferro" de 80 anos na política japonesa. Sua ascensão é vista como um passo histórico para a maturidade da sociedade japonesa e um sinal de vitalidade para a representação feminina no país.

Japão: primeira-ministra Sanae Takaichi foi reeleita no último dia 8, levando a entusiasmos do mercado. (Eugene Hoshiko /AFP)
- Tarique Rahman: Após 17 anos no exílio em Londres, Rahman retornou a Bangladesh para vencer as eleições de fevereiro em uma vitória esmagadora. Ele assumiu o posto de sua mãe, Khaleda Zia, buscando unificar o país, combater a inflação e o desemprego juvenil, além de restaurar direitos políticos.
- Netumbo Nandi-Ndaitwah: Eleita a primeira mulher presidente da Namíbia, ela é uma antiga combatente do movimento de libertação que serviu como ministra das Relações Exteriores. É uma voz respeitada do Sul Global que defende a equidade, a justiça e a liderança feminina inclusiva.
- Mark Carney: Ex-governador de bancos centrais, Carney assumiu o cargo de primeiro-ministro do Canadá no ano passado. Apelidado de "George Clooney das finanças", ele é reconhecido por alertar sobre os riscos climáticos para a estabilidade financeira e por buscar reinventar a cooperação multilateral.
A influência da cúpula de Donald Trump no mundo
No poder há menos de um ano e meio, o governo Trump tem sido responsável por diversas mudanças na maior economia do mundo. Entre as diversas figuras poderosas nessa estrutura, a Time destacou quatro pessoas como as mais influentes do mundo:
- Marco Rubio: Acumula os cargos de Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional, um poder comparado ao de Henry Kissinger. Ele é o executor da política externa de Trump, incluindo a ofensiva contra o Irã, a captura do líder venezuelano e as negociações diplomáticas sobre tarifas e imigração.

Marco Rubio, Secretário de Estado dos EUA
- Susie Wiles: Chefe de Gabinete da Casa Branca e uma das figuras não eleitas mais poderosas. Ela impõe disciplina na Ala Oeste e é a conselheira de maior confiança do presidente. Mesmo em tratamento contra o câncer, permanece no cargo, sendo considerada indispensável por Trump.

Susie Willes, Chefe de Gabinete da Casa Branca (Photo by POOL/ Getty Images /AFP)
- Steve Witkoff: Bilionário do setor imobiliário e amigo pessoal de Trump, atua como enviado especial para o Oriente Médio. Trabalhou em cessar-fogos entre Israel e Hamas e trocas de prisioneiros com a Rússia, embora tenha participado das reuniões que precederam a decisão de Trump de lançar uma nova guerra contra o Irã.

Steve Witkoff, uma das principais figuras da política externa de Trump. (Scott Olson/Getty Images/AFP)
- Dan Caine: Ex-piloto de caça e tenente-general de três estrelas, foi escolhido por Trump para ser o Presidente do Estado-Maior Conjunto. É o conselheiro militar de maior confiança, tendo liderado ataques contra instalações nucleares iranianas e a captura de Maduro na Venezuela.
A oposição a Trump em 2026
O poder consolidados por Donald Trump tem encontrado resistência interna nos EUA.
Com as eleições de meio de mandato ainda em 2026 e a pressão da corrida presidencial em 2028, diversos nomes do Partido Democrata têm se mostrado como fortes nomes na oposição ao presidente atual. A Time escolheu quatro deles para sua lista:
- Mark Kelly: O senador do Arizona e ex-astronauta tornou-se um dos principais antagonistas da administração após ser alvo de ameaças de Trump por lembrar as tropas de não seguir ordens ilegais. Ele processou o Pentágono e é visto como um forte nome democrata para 2028.

Mark Kelly, astronauta que se tornou Senador (Bill Ingalls/Nasa)
- Gavin Newsom: O governador da Califórnia é um crítico feroz de Trump e lidera a quarta maior economia do mundo. Embora lide com problemas internos como pobreza e altos impostos, ele é considerado o favorito dos democratas para a campanha presidencial de 2028.

Governador da Califórnia, Gavin Newsom: ele participou da COP30 em Belém, integrando delegação não oficial que manteve a agenda climática dos EUA (Leandro Fonseca/Exame)
- Jacob Frey: O prefeito de Minneapolis enfrentou o maior esforço federal de fiscalização de imigração da história dos EUA. Ele entrou em conflito direto com o ICE, ordenando que saíssem da cidade após a morte de uma moradora local.
- Zohran Mamdani: O novo prefeito de Nova York, um socialista democrático, venceu uma eleição histórica com promessas de ônibus gratuitos e congelamento de aluguéis. Tornou-se um símbolo para os progressistas e um interlocutor direto, embora desafiador, com o governo federal.

Zohran Mamdami, prefeito de Nova York, ao anunciar novo supermercado público, em East Harlem (Spencer Platt/AFP)
Agências internacionais
Para além das estruturas nacionais de poder, agências internacionais também são responsáveis por influenciar a geopolítica mundial. Para a Time, três pessoas dessas organizações estão entre as mais influentes do mundo:
- Rafael Mariano Grossi: Diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o diplomata argentino lidera inspeções em zonas de conflito, como a usina de Zaporizhzhia na Ucrânia e as instalações atacadas no Irã. É um forte candidato a Secretário-Geral da ONU.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi. (Askin Kiyagan/Getty Images)
- Henna Virkkunen: Vice-presidente Executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia. Ela atuaba regulamentação da infraestrutura digital e da IA na Europa, resistindo a pressões externas de Washington.
- Fatih Birol: Diretor da Agência Internacional de Energia (AIEA), Birol coordena a liberação de reservas estratégicas de petróleo durante a guerra no Irã.