Mundo

Bangladesh: veja quem assumirá o país após eleição e revolta da gen-Z

Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), sob Tarique Rahman, volta ao poder depois das primeiras eleições livres em 15 anos

Tarique Rahman, vencedor das eleições de Bangladesh, em cartaz durante a campanha (Sajjad Hussain/AFP)

Tarique Rahman, vencedor das eleições de Bangladesh, em cartaz durante a campanha (Sajjad Hussain/AFP)

Publicado em 14 de fevereiro de 2026 às 08h01.

Bangladesh, país ao leste da Índia, com 170 milhões de habitantes, foi palco de importantes eleições na quinta-feira, 12, para definir um novo Parlamento e superar 15 anos de governo linha-dura e autoritário da ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, derrubada em 2024 por uma intensa revolta popular liderada por jovens da chamada Geração Z.  O movimento, duramente reprimido. Ao todo, foram 1.400 mortos entre os manifestantes, e Hasina, agora exilada na Índia, foi condenada a morte.

O vencedor foi o Partido Nacionalista de Bangladesh, sob a sigla BNP, com Tarique Rahman, 60, filho de figuras respeitadas no país, protagonizando a mudança. Ele será o novo primeiro-ministro.

Seu partido conquistou uma vitória esmagadora, vencendo 212 das 300 cadeiras em disputa, contra 77 da coalizão liderada pelos islamistas do Jamaat-e-Islami, que dise ter "sérias dúvidas sobre a integridade do processo de apuração".

Os eleitores aprovaram ainda, com 60,26% de votos favoráveis, um pacote de reformas institucionais submetido a referendo, de modo paralelo às legislativas, anunciou Akhtar Ahmed, primeiro secretário da Comissão Eleitoral de Bangladesh.

A carta, assinada pela maioria dos partidos políticos em outubro, tem como objetivo impedir o retorno de um regime autocrático em Bangladesh. O pacote limita a dois o número de mandatos do primeiro-ministro e prevê a criação de uma Câmara Alta, além do aumento dos poderes do presidente.

A carta precisa, no entanto, ser aprovada pelo novo Parlamento para entrar em vigor.

Quem é Tarique Rahman, o líder exilado que voltou ao país?

Tarique Rahman, que se tornará o próximo primeiro-ministro de Bangladesh, retorna à sua terra natal após anos de exílio em Londres.

Herdeiro da influente família Zia, à frente do BNP, uma das maiores forças políticas do país, seu pai foi presidente e sua mãe foi a primeira mulher a ocupar o cargo de premiê, posição na qual serviu dois mandatos. Todavia, mesmo com o ímpeto político de sua família, a jornada de Rahman ao topo foi tudo menos suave.

Além do exílio, sua carreira sempre foi permeada por intensa pressão política por partidos rivais, e também foi impactada pelo assassinato de seu pai em um golpe de Estado, quando Rahman era um adolescente.

Mesmo assim, desde 2002, Rahman segue nos passos de seus pais. Ele se tornou um membro sênior do BNP, em uma jornada altamente criticada pela oposição como nepotismo. Seus rivais políticos sempre jogaram diversas alegações de corrupção contra Rahman, enquanto seus apoiadores acreditam que ele tenha sido um apenas um bode expiatório usado por seus oponentes.

Em 2007, durante um governo interno apoiado pelo exército, Rahman foi preso sob acusações de corrupção e alega ter sido torturado enquanto aguardava julgamento. Passou 18 meses em detenção antes de ser solto e exilado em Londres, em um apelo no qual prometeu largar a política para que pudesse sair de Bangladesh em segurança. Rahman não retornaria ao seu país pelos próximos 17 anos.

Mesmo em exílio, Rahman continuou a atuar na estratégia política do BNP, e se tornou diretor do partido quando que sua mãe foi condenada à prisão em 2018. O novo premiê só voltou para Bangladesh no Natal de 2025, apenas cinco dias antes de sua mãe falecer, e no dia 9 de janeiro, se tornou líder oficial da BNP, em uma ascensão que observadores julgavam inevitável.

Com AFP.

Acompanhe tudo sobre:BangladeshÁsiaEleições

Mais de Mundo

'As operações continuarão com toda a força', diz Trump sobre escalada dos ataques ao Irã

María Corina anuncia retorno à Venezuela 'em poucas semanas'

Com guerra no Oriente Médio, Opep+ amplia produção para evitar choque no petróleo

Ataque em Austin deixa três mortos e FBI investiga possível motivação terrorista