(Alex Brandon/POOL/AFP)
Repórter
Publicado em 2 de abril de 2026 às 06h36.
Última atualização em 2 de abril de 2026 às 07h36.
A guerra entre Irã e Israel entrou no 34º dia nesta quinta-feira, 2, com nova escalada dos Estados Unidos e impacto direto nos mercados globais.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou em discurso à nação que pretende intensificar os ataques contra Teerã nas próximas semanas, o que levou a uma forte alta nos preços do petróleo.
O barril do Brent voltou a superar os US$ 105, com avanço superior a 5% nas negociações asiáticas, após ter recuado na véspera com expectativas de desescalada.
Já o WTI, referência nos Estados Unidos, também disparou e voltou a operar acima dos US$ 104.
Em pronunciamento de cerca de 20 minutos, Trump afirmou que os Estados Unidos vão atingir o Irã “com muita força” e prometeu “devolvê-lo à Idade da Pedra” caso não haja avanço nas negociações.
A fala frustrou expectativas de que o governo americano pudesse anunciar o fim da operação militar iniciada em 28 de fevereiro, ao lado de Israel.
O presidente justificou a ofensiva ao afirmar que Teerã estaria reconstruindo seu programa nuclear e ampliando seu arsenal de mísseis balísticos, o que, segundo ele, representaria uma ameaça direta aos Estados Unidos e à Europa.
Apesar do tom agressivo, Trump disse que mantém conversas com autoridades iranianas em busca de uma solução diplomática.
O comando militar iraniano reagiu e prometeu intensificar a ofensiva contra Estados Unidos e Israel, afirmando que a guerra seguirá até a “rendição” dos adversários.
“Aguardem nossas ações mais devastadoras, amplas e mais destrutivas”, declarou o quartel-general Khatam al-Anbiya.
O governo iraniano também rejeitou qualquer negociação direta com Washington, classificando as propostas americanas como “maximalistas e irracionais”. Segundo o porta-voz da chancelaria, contatos ocorreram apenas por intermediários, sem avanço concreto.
Mesmo após perdas relevantes na cúpula do regime — incluindo a morte do líder supremo Ali Khamenei —, o país mantém a estrutura de poder e promete resistir ao conflito.
O Exército israelense informou que interceptou novas ondas de mísseis lançados pelo Irã, enquanto Teerã anunciou ataques contra alvos israelenses e bases americanas no Golfo.
No Líbano, os confrontos entre Israel e o Hezbollah já deixaram mais de 1.300 mortos desde o início de março.
No Golfo, ataques atingiram petroleiros, aeroportos e instalações energéticas em países como Kuwait, Bahrein e Catar, elevando o risco para a infraestrutura crítica da região.
O controle do Estreito de Ormuz segue como principal ponto de tensão global. O Reino Unido articula uma reunião com cerca de 30 países para discutir medidas que garantam a segurança da rota marítima, essencial para o transporte de petróleo.
O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Mark Rutte, deve se reunir com Trump na próxima semana, em meio a críticas de países europeus sobre a condução unilateral da guerra.
O presidente Masoud Pezeshkian acusou Estados Unidos e Israel de cometerem “crimes de guerra” ao atacar infraestrutura civil, incluindo redes elétricas.
Além disso, o país anunciou novas ondas de ataques com mísseis e drones, reforçando a disposição de manter a ofensiva enquanto não houver garantias de segurança.
*Com EFE e AFP