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Petróleo sobe 7,6% após Trump endurecer discurso contra o Irã

Discurso de Donald Trump na noite de quinta-feira, 1º, afasta chance de trégua no conflito no Oriente Médio e mantém risco sobre oferta global de energia

Estreito de Ormuz: rota de escoamento do petróleo é principal preocupação. (GettyImages)

Estreito de Ormuz: rota de escoamento do petróleo é principal preocupação. (GettyImages)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 2 de abril de 2026 às 07h05.

Última atualização em 2 de abril de 2026 às 07h08.

O preço do petróleo voltou a subir e ultrapassou os US$ 100 por barril na quinta-feira, 2, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartar a possibilidade de encerrar rapidamente a guerra no Irã.

O barril do tipo Brent, com entrega para junho, subiu 7,6% e chegou a US$ 108,81. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançou 7,52%, para US$ 107,65 — a maior alta diária em três semanas, segundo a Reuters.

Antes do discurso, os preços chegaram a cair, com o mercado ainda esperando sinais, na avaliação de fontes ouvidas pela agência. A fala de Trump, no entanto, mudou o rumo das negociações.

Sem sinais de solução, os mercados reagiram mal. Bolsas caíram ao redor do mundo e o dólar voltou a se valorizar.

O gestor sênior de portfólio da Pictet Asset Management em Singapura, Jon Withaar, vê que o problema é a falta de clareza.

"Não temos nenhuma certeza ou clareza adicional sobre o cronograma a partir deste pronunciamento, e era isso que o mercado estava buscando", disse à Reuters.

Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento do petróleo do mundo que foi fechada pelo Irã, segue como a principal preocupação, já que o bloqueio pressiona ainda mais os preços.

A tensão aumentou após um petroleiro ligado à QatarEnergy ser atingido por um míssil iraniano, elevando os riscos para a navegação na região, de acordo com fontes consultadas pela Reuters.

A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) alertou que os impactos no fornecimento devem começar a atingir a economia europeia ainda em abril.

Estagflação no radar

O avanço do petróleo reacendeu o temor de estagflação, ou seja, quando a economia cresce pouco, mas a inflação segue alta.

Com combustíveis mais caros, aumenta a pressão sobre os preços e diminui o espaço para cortes de juros.

Investidores passaram a rever apostas sobre o Federal Reserve (Fed), que pode ter mais dificuldade para afrouxar a política monetária.

Os rendimentos dos títulos americanos subiram, enquanto o dólar se fortaleceu frente a outras moedas.

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